sábado, 4 de outubro de 2014

Justiça Eleitoral ficará sem internet para garantir segurança da apuração; entenda

Do NE10
Votos para presidente são apurados no TSE, em Brasília / Foto: José Cruz/ABr
Votos para presidente são apurados no TSE, em BrasíliaFoto: José Cruz/ABr
A contagem dos votos no Brasil já demorou vários dias e foi suscetível a fraudes. Porém, com a evolução do sistema eleitoral desde a década de 1980, os eleitores brasileiros já descobrem quem ocupará o próximo mandato de governador poucas horas após o fim da votação e têm um dos mais seguros sistemas eleitorais do mundo - embora não seja completamente. Entre os procedimentos para tentar manter a confiança dos eleitores no processo de votação, está a interrupção das redes externas de internet na Justiça Eleitoral desde este sábado (4) até a próxima segunda-feira (6), fazendo com que os dados circulem dos Tribunais Regionais Eleitorais para Brasília por uma rede exclusiva nesse período. 


Informações da urna são transmitidas criptografadas, traduzidas no sistema desenvolvido pela Justiça EleitoralDe forma resumida, após as 17h, quando acaba o horário de votação, os fiscais imprimem um boletim da urna, em microcomputadores exclusivos e com senhas só com acesso do juiz eleitoral, com o números de eleitores que passaram por ela e de votos para cada candidato. O material fica disponibilizado para conferência dos eleitores e dos partidos.

Em seguida, o pen drive que marca esses dados, todos criptografados e só decifrados nos sistemas da Justiça Eleitoral, é levado para o cartório eleitoral, de onde serão transmitidos para a sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE), na capital pernambucana, onde é feita a apuração para os cargos de governador, senador e deputados estaduais e federais. A previsão é de que o resultado esteja disponível até a meia-noite do domingo. A logística do transporte do pen drive é determinada pelos juízes eleitorais, transportado por fiscais, dependendo da localização geográfica, muitas vezes precisando de apoio policial.

As informações sobre os candidatos a presidente da República são remetidas, também codificadas, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, através da rede interna.

Acessos externos são barrados por meio de firewall, sendo impedido também o ataque de hackers. “Um exemplo simples do uso dessa rede é que podemos enviar um e-mail dentro do Tribunal, mas fica retido se mandar para fora. O contrário também acontece”, explica a secretária de Tecnologia da Informação e Comunicação do TRE-PE, Márcia Melo. De acordo com a especialista da Justiça Eleitoral, como isso acontece, são selecionados pelo TSE parceiros entre os veículos de comunicação para ajudar na divulgação do resultado. Mas os dados também não são repassados pela internet.

Informações da urna são transmitidas criptografadas, traduzidas no sistema desenvolvido pela Justiça EleitoralFoto: José Cruz/ABr
URNA - Para o Tribunal Superior Eleitoral, o pontapé inicial para a criação do sistema informatizado de votação foi dado em 1985, com a consolidação do cadastro único e automatizado de eleitores. O processamento eletrônico dos dados foi realizado pela primeira vez dez anos depois. Então, o protótipo da urna brasileira começou a ser desenvolvido para a realidade brasileira.

Um terço do eleitorado, o que equivalia a 32 milhões de brasileiros, votou nas urnas eletrônicas em 1996, nas 57 cidades com mais de 200 mil eleitores no País. Para aquele pleito, foram produzidas mais de 70 mil urnas eletrônicas. As eleições seguintes já foram totalmente realizadas com esses equipamentos. 

Este ano, o total de urnas só em Pernambuco passa de 20 mil, estado com mais de 6 milhões de eleitores. A urna atualmente marca apenas que o eleitor já votou e o candidato indicado, não deixando rastros que possam ligá-lo ao seu voto. Todas as informações carregadas e o próprio equipamento são identificadas por assinaturas digitais próprias.

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