quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Rua da Aurora, esquina com Imperatriz, 19h30

Rodolfo Silva veio da cidade de Vitória de Santo Antão para o Recife há quatro anos e nunca teve um emprego fixo / Foto: Luiz Pessoa
Rodolfo Silva veio da cidade de Vitória de Santo Antão para o Recife há quatro anos e nunca teve um emprego fixoFoto: Luiz Pessoa
"Num tenho casa, num tenho nada, num tenho teto, durmo na rua já. O bagulho é esse, respeitar os outros e carregar meus documentos. Eu num tenho nem dinheiro pra ir pra Vitória de volta, meus 'família' mora tudo lá… Esse dinheiro aqui (ele me mostra uma pequena bolsa, com R$ 5 aproximadamente) amanhã? Um café, uma coisa, uma droga ou outra, bebida. Já arrumei B.O. (boletim de ocorrência) por aqui demais, já fui furado, já briguei e já roubei. Ia pro cinema pra tentar assistir um filme, e num consigo segurar dinheiro pra comprar um tíquete, termino na cola.

Eu me sinto derrubado, sou ex-presidiário, ninguém confia. Queria trabalhar de qualquer coisa - ele aponta para o chão de pedra inglesa -, isso aqui é caceteiro, isso é aqui é piche, encanamento, eletricista, só queria uma oportunidade pra aprender e viver melhor".

Rodolfo Silva, o Buda, 25 anos, desempregado


SOBRE A SIGA A RUA
O submundo que nos rodeia é algo que passa desapercebido por muitos. O intuito desta coluna é mudar essa perspectiva. O universo da rua é algo prolixo e controverso, das belezas arquitetônicas erguidas às histórias pessoais mais diversas, de amor, ódio, desprezo, loucura e desapego.

Tenho conversado com pessoas que retratam narrativamente essa vida sofrida e extraio dessas conversas seus pontos cruciais de externação sobre estas experiências, às vezes tão sórdidas e amargas, que me remetem a uma reflexão interna. É isso que quero trazer; uma contemplação de uma realidade dura e crua que nos fortaleça mediante às adversidades.

Os textos que posto a seguir são verídicos, histórias narradas e gravadas que uso como base para a minha pesquisa. Muitos são abordados por curiosidade e empatia, outros quase que ao acaso. Não escrevo conclusões por achar que o leitor sentirá a necessidade de fazer por si próprio. Agradeço a todos que lerem e se sentirem atraídos pela proposta deste veículo e, se se sentir à vontade, utilize a hashtag #sigaarua nas redes sociais, para que possamos disseminar esse conteúdo e que todos vejam a realidade que nos circunda e continua, até então, invisível.
*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

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