terça-feira, 13 de outubro de 2015

Preservar o poder é mais importante

Carlos Chagas
Ricardo Berzoini, ministro da Secretaria de Governo, reúne hoje os líderes dos partidos da base oficial. No mesmo dia os ministros Katia Abreu, Eliseu Padilha e Henrique Eduardo Alves, do PMDB,   começarão  nova temporada de caça aos deputados do partido, pretendendo que façam declarações de lealdade à presidente Dilma, comprometendo-se a não embarcar na  canoa do impeachment. Madame, de seu turno, continuará batendo firme  e denunciando   tratar-se de um  golpe a tentativa de tirá-la do palácio do Planalto.   Mais  aproveitará  viagens  e inaugurações pelo país,   além de ampliar o número de entrevistas nesse sentido.
Significa, essa operação de salvamento, estar o governo apavorado com  a hipótese do  impeachment. Por duas vezes grande parte da bancada governista na Câmara negou-se a comparecer ao plenário para aprovar os vetos da presidente a projetos que aumentam despesas públicas. A omissão fez prever que os insatisfeitos  poderão integrar-se à iniciativa das oposições.
Para neutralizar a rebelião,  começa também amanhã a Semana de São Francisco, com a distribuição de  cargos e nomeações para os deputados garfados pelo ex-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, responsável pelo congelamento das promessas antes feitas por  Michel Temer. Aliás, permanece afastado o vice-presidente, depois do malogro  da efêmera  coordenação política que não deu certo.  Seus movimentos vem sendo monitorados com lupa, depois de ter-se  aproximado do verdadeiro incentivador do impeachment, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O problema é que sendo presidente do PMDB e beneficiário maior da operação “Fora Dilma”, Temer perdeu a confiança dos ministros palacianos.
Não há como desconsiderar o dedo do governo na ação desenvolvida contra Eduardo Cunha, em especial pela imprensa. O deputado fluminense vive o seu inferno zodiacal, claro que por culpa dele mesmo e de sua participação na lambança da Petrobras. É de foice em quarto escuro sua briga com Dilma. Se vai para as profundezas, arriscado a  perder o mandato, quer levar a presidente com ele.
Em suma, a temperatura continua subindo a ponto de o governo haver esquecido a crise econômica. O ministro Joaquim Levy passou a figurante sem expressão. O desemprego, o dólar, a nova CPMF, a alta dos impostos,  do custo  de vida  e as greves são mero detalhe nas preocupações oficiais. Preservar o poder é mais importante.

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