segunda-feira, 11 de julho de 2016

Jarbas faria o resgate moral



Num Congresso de crise moral latente, num País no campo da ética igualmente caminhando para o fundo do poço, a eleição para presidente da Câmara dos Deputados, convocada para esta semana, mesmo em se tratando de mandato tampão de seis meses, em razão do vácuo da renúncia do correntista suíço Eduardo Cunha, seria uma excelente oportunidade de o parlamento fazer mea-culpa com a sociedade, dando oportunidade ao resgate de conceitos que primam pelo zelo à coisa pública.
Mas o que assistimos é o avesso disso. Não se discute o momento lamentável e dramático que a Câmara enfrenta. Ao invés da busca do consenso em torno de um nome inatacável, para fazer a transição, muitos já se lançaram porque buscam o poder pelo poder. A prática é velha e oportunista, tão oportunista que o PT está se abraçando com o DEM, representado pelo candidato Rodrigo Maia (RJ).
O DEM, em rima, era demoníaco para o PT. Entretanto, o que o PT deseja é atrapalhar a gestão Michel Temer e para isso vale tudo, até o beijo da morte demoníaco. O próximo presidente comandará uma Casa desmoralizada e esvaziada pelas eleições municipais. Será pressionado a proteger colegas em apuros e terá a vida devassada pela imprensa e pelos órgãos de investigação.
Não parece o melhor emprego do mundo, mas pelo menos 15 deputados já se candidataram a ocupá-lo. A lista pode crescer nos próximos dias, embora ainda não se saiba ao certo nem a data da eleição. A disputa começa com o favoritismo do centrão, que agrupa mais de 200 deputados de siglas médias e pequenas. Essa massa partidária foi fermentada por Eduardo Cunha e resultou num bolo com o triplo do tamanho do PMDB.
Seus principais ingredientes são o conservadorismo e a subordinação a Cunha, que tenta salvar o mandato. O Governo interino finge não se envolver, mas fará o possível para emplacar um presidente dócil, que aprove as "medidas impopulares" anunciadas por Michel Temer. O pacote deve incluir reforma da Previdência, corte de direitos trabalhistas e aumento de impostos.
Quem oferecer mais proteção a Cunha e mais segurança a Temer terá maiores chances de comandar a Câmara. A capacidade para resgatar o prestígio da Casa, que o ex-presidente atirou na lama, é o atributo menos lembrado na disputa. Se isso estivesse em jogo, um dos nomes mais indicados para esta tarefa, que parece visionária, seria o do deputado pernambucano Jarbas Vasconcelos (PMDB).
OS MAIS FORTES– Considerados favoritos na acirrada disputa pela presidência da Câmara, os deputados Rogério Rosso (PSD-DF) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) ainda não se lançaram oficialmente na corrida pela sucessão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Antes de expor as candidaturas nos carpetes verdes da Câmara, os dois parlamentares da base aliada de Michel Temer travam, nos bastidores, uma intensa batalha por votos e pelo apoio oficial do Palácio do Planalto. A corrida pela presidência, que estava limitada a conversas de bastidores nas últimas semanas, foi deflagrada oficialmente quando Cunha renunciou ao comando da casa legislativa na última quinta-feira.

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