sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

'Já tentou me furar uma vez', diz mãe de crianças mortas pelo padrasto em Moreno


A mãe das vítimas explicou como o crime aconteceu

Gessica Maria do Nascimento

Com apenas 9 anos, a menina dispara: “Quando ele tentou te esfaquear, mamãe”, respondendo, pela mãe, ao repórter que perguntou qual a maior violência que ela já tinha vivido nas mãos do marido. Essa criança é a principal testemunha da tragédia que vitimou os próprios irmãos, Alex Gabriel dos Santos, 11 anos, e Maria Alice Nascimento dos Santos, 13. Viu de perto o pai, Robson José dos Prazeres, 28, esfaqueando os filhos do primeiro casamento da companheira, Géssica Maria do Nascimento, 29, no início da manhã dessa quinta (3), em Moreno, Região Metropolitana do Recife. Após uma noite de bebedeira e uso de drogas, tentou estuprar Maria Alice e cometeu o duplo homicídio utilizando uma faca. Nesta sexta (4), ele passa por audiência de custódia. 

No momento do brutal duplo assassinato, a mãe das criançasnão estava em casa - havia, segundo ela, ido à casa do tio. Em entrevista à Folha de Pernambuco, Géssica contou sobre sua relação com o suspeito.

Onde você estava no momento em que o crime aconteceu?
Eu tinha ido para casa do meu tio, que é idoso e cadeirante, e eu ajudo a cuidar. Vou para lá a cada dois dias. As crianças tinham ficado na casa da minha mãe e o meu filho mais novo na casa da mãe dele. Não sei porque eles voltaram para casa.
Por que as crianças estavam em casa?
Minha filha disse que estavam na casa da avó, mas não quiseram ficar lá porque estava muito cheio e voltaram para casa, às 19h. Eu não sei como foi, onde ele estava bebendo, mas que ele chegou e deitou em cima dela (Maria Alice) e começou a apertar e a puxar ela, pra manter relações. O irmão acordou e não permitiu, então ele começou a furar meu filho. Então ela disse ‘Espera aí, que eu vou ao banheiro. Quando eu voltar, eu deixo você fazer alguma coisa comigo’. Só que ela já estava muito esfaqueada e os dois tentaram correr e do lado de fora já caíram mortos.
Ele ameaçava você e seus filhos?
Estávamos juntos há dez anos. Ele não aceitava a separação, não me deixava em paz. Tem cinco anos que eu tentava me separar dele. Nunca tinha dito que mataria as crianças, mas me ameaçava demais. Ele batia em mim em qualquer canto, me fazia passar vergonha, me esculhambava. Já chamei a polícia, quando ela saía, ele voltava e se eu não abria a porta, ele batia em mim. Tinha medida protetiva, mas não adianta. Dizia que se eu não fosse dele, não seria de ninguém.
Qual a maior violência que ele tentou contra você?
Ele já tentou me furar, mas fiquei segurando a faca que ele estava tentando colocar na minha barriga, enquanto o meu filho de seis anos pedia para ele parar. Ele usava todo tipo de droga. Só bastava beber, que ele fumava maconha, usava crack, cheirava pó e assim ia. Ele era obcecado por mim, muito ciumento, doentio. Ele não me deixava refazer minha vida. Eu ia pra São Paulo em maio, morar com minha tia. Talvez ele não tenha aceitado, por isso que fez isso.
Como eram seus filhos?
Meus filhos são tudo o que eu tenho na minha vida. Ela queria ser uma grande advogada e ele queria ser policial, mas sinto muito que isso não vai acontecer. Eles não eram envolvidos com coisas erradas, eram normais, como qualquer criança e adolescente. Fiquei sabendo quando estava dando banho no meu tio, quando a mãe do meu marido ligou e disse ‘Rob matou teus dois filhos, vai fazer o quê agora?’. Comigo ele batia, fazia tudo, tentava me matar. Mas nunca tinha feito nada contra as crianças. Ele bateu em mim pela primeira vez em 2015.

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