terça-feira, 20 de agosto de 2019

Verba para emitir CPF e restituições do IR acaba ainda este mês




A Receita Federal, que terá mudanças na sua cúpula, deve enfrentar nos próximos dias o risco de shutdown, com a falta de dinheiro em caixa para emitir CPFs, pagar aos contribuintes as restituições do Imposto de Renda e controlar a importação e exportação de produtos no Brasil.
Há dinheiro para que o sistema funcione até o dia 25 de agosto, o próximo sábado, mas o governo prometeu ao órgão que vai resolver a questão antes que os serviços sejam paralisados.
A escassez de recursos na Receita já atrapalha o envio de correspondências, mas até o fim do mês a situação se agravará caso não haja liberação de dinheiro ao órgão.
Os cortes no Orçamento devem afetar a atividade do Serpro, empresa pública prestadora de serviços de tecnologia da informação, cujo principal cliente é a Receita.
Com este cenário, a Receita emitiu um comunicado interno para alertar sobre o risco de paralisação das atividades, já que os principais serviços do Fisco dependem do sistema.
Apesar do compromisso, a gestão de Jair Bolsonaro está em alerta e monitora o risco de paralisia em programas de ministérios nos próximos meses por falta de dinheiro.
Liberações de bolsas de estudo e atividades da Polícia Federal já estão prejudicadas pelo estrangulamento nas contas públicas. Assim como na Receita, o Ministério da Economia tenta administrar reclamações feitas pelas pastas, que têm apresentado uma série de demandas em busca de mais recursos.
Neste ano, a disponibilidade das chamadas despesas discricionárias atingiu o patamar mínimo histórico. São exemplos desses gastos, definidos como não obrigatórios, o custeio da máquina pública e investimentos.
O governo iniciou 2019 com um montante previsto de R$ 129 bilhões em despesas discricionárias. Porém, o fraco desempenho da economia e a frustração na arrecadação de tributos levou a bloqueios de R$ 33 bilhões nos ministérios. Com isso, o valor disponível em gastos não obrigatórios caiu para aproximadamente R$ 97 bilhões, patamar considerado baixo.
Na avaliação de membros da área econômica, é pequeno o risco de que o país passe neste ano pelo chamado “shutdown”, quando a limitação de recursos chega a um nível crítico que leva a uma paralisia geral dos serviços públicos.
Técnicos do Ministério da Economia acreditam que mais órgãos devem suspender serviços sob a alegação de que acabou o dinheiro, mas sem um efeito generalizado na máquina pública.
Além do problema de caixa, a Receita tem enfrentado pressões de ordem política. Nesta segunda-feira (19) foi confirmada a troca do número dois do órgão, o subsecretário-geral, João Paulo Ramos Fachada. Ele vinha se posicionando contra pressões do Palácio do Planalto para substituições em postos-chave do órgão.

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