sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Recife sedia Fórum de Secretários de Cultura do Nordeste


Encontro realizado na Capital pernambucana discutiu possibilidades de articulação com corpos diplomáticos de países como Japão, Alemanha, Estados Unidos e Grã Bretanha



Secretários e dirigentes estaduais de cultura de todo o Nordeste estão se articulando para colocar a Cultura como um dos pontos-chave do Consórcio Nordeste, que, entre outras propostas, busca alternativas para atrair investimentos para os estados da região. A portas fechadas, nestas quinta-feira (03) e sexta-feira (04), eles se reúnem com representantes dos corpos consulares instalados em Pernambuco. 

"Este é o início de um exercício de realinhamento de estratégias. Precisamos ter uma postura mais proativa diante dos impactos da inexistência de uma política nacional de Cultura. Nosso estado tem um papel crucial na discussão sobre modelos de cooperação internacional com instituições culturais de outros países, por ser um hub diplomático. Temos 43 consulados ativos aqui", explicou o secretário de Cultura de Pernambuco, Gilberto Freyre Neto.
Representantes do Japão, França, Eslovênia, Malta, Grã Bretanha, Argentina, Estados Unidos e Alemanha estiveram presentes no encontro da quinta (3). Durante o fechamento da programação, na sexta, estão previstos informes e encaminhamentos sobre questões como censura às Artes e Cultura e a atuação da gestão de Cultura no Legislativo, bem como em programas federais como Cultura Viva e Ancine.
"O Consórcio Nordeste é o mais inventivo arranjo federativo neste difícil momento que o Brasil atravessa. É preciso muita imaginação para construirmos políticas públicas, e se querem cultura como alvo, terão cultura como flecha", disse, na abertura, a secretária de Cultura da Bahia, Arany Santana, que é também a presidenta do Fórum de Secretários de Cultura do Nordeste.

À reportagem, Arany contou que o fórum se torna cada vez mais necessário por conta das restrições que vêm acontecendo no setor. "Estamos lutando para buscar caminhos e mecanismos que permitam nossa sobrevivência", afirmou ela, para quem a Cultura pode ser encarada como um eixo de desenvolvimento, em especial numa região tão rica sob esse aspecto. 
A ideia é reforçada pela coordenadora de Cultura da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Isabel de Paula, para quem a iniciativa é uma importante estratégia de integração que deverá permitir aos nove estados nordestinos promoverem, por meio da cultura, seus desenvolvimentos econômico, social e humano. "O Nordeste pode e deve usar esses ativos do seu patrimônio material e imaterial. Se tem um lugar no Brasil que pode se apropriar desse potencial e desenvolver estratégias e políticas para o benefício de sua população e para a projeção nacional e internacional dessa cultura é o Nordeste", pontuou.

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