terça-feira, 5 de novembro de 2019

Caso Aldeia: julgamento será retomado nesta terça-feira


Sessão desta terça-feira entrará na fase de debate entre o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e a defesa da ré




Após a exibição de vídeos de audiência de instrução, foi suspenso o julgamento da farmacêutica Jussara Rodrigues da Silva Paes, 55 anos, no Fórum de Camaragibe, no Grande Recife. A sessão será retomada nesta terça-feira (5), às 9h, para fase de debate entre o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e a defesa da ré.

Cada parte terá uma hora e meia para expor sua argumentação, com direito a réplica e tréplica. Só depois o júri decide se Jussara é inocente ou culpada. A farmacêutica é ré confessa de matar e esquartejar o médico cardiologista Denirson Paes, encontrado dentro de uma cacimba da casa onde morava, em um condomínio de luxo na Estrada de Aldeia, em Camaragibe.

O filho mais novo do casal, Daniel Paes, foi a primeira das cinco testemunhas de acusação a depor nesta segunda-feira no Fórum de Camaragibe. Ele falou por cerca de vinte minutos, mas sem a presença da mãe na sala de júri. "Vim pelo meu pai, que era um excelente pai e amigo. Espero que seja feita a justiça. É um momento muito forte pra mim, mas eu estou aqui por ele", afirmou Daniel à imprensa após depor no julgamento.


Segundo os advogados de Jussara, ela agiu em legítima defesa. "Ela ocultou o cadáver de forma reprovável, é verdade, mas agiu em legítima defesa. Se, na manhã de dia 31 de maio do ano passado, Jussara não tivesse se defendido de Denirson, hoje ela se limitaria a um número, a uma estatística de feminicídio", afirmou o advogado Rafael Nunes, na entrada do fórum.

Para a promotoria responsável pela acusação da farmacêutica Jussara Paes, o assassinato e esquartejamento do médico Denirson Paes foram premeditados pela viúva. Além disso, não ficou comprovado que ele a agredia. "Não há um conjunto de provas", rebateu o advogado assistente de acusação da promotoria, Carlos André Dantas. A acusação ainda espera que Jussara seja condenada por homicídio triplamente qualificado, além da ocultação de cadáver.

Relembre o caso
O cadáver do médico cardiologista Denirson Paes foi encontrado em 4 de julho de 2018 dentro de uma cacimba da casa onde morava, no condomínio de luxo Torquato de Castro I, localizado no km 13 da Estrada de Aldeia, em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife. O desaparecimento do médico vinha sendo investigado desde o início de junho.

Em um Boletim de Ocorrência registrado em 20 de junho sobre o desaparecimento do marido, a farmacêutica Jussara Rodrigues Silva Paes alegava que a vítima teria viajado para fora do País e que não teria retornado desde então. A delegada Carmem Lúcia, de Camaragibe, desconfiou do envolvimento dos familiares e solicitou um mandado de busca e apreensão no condomínio em que eles moravam.

Na busca policial, realizada em 4 de julho, foram encontrados os primeiros restos mortais do médico na cacimba da residência. Para a polícia, havia indícios suficientes da participação de mãe e filho na ocultação do corpo de Denirson, Danilo. Em 5 de julho, Jussara e Danilo foram presos temporariamente suspeitos de ocultação de cadáver.

Danilo foi encaminhado para o Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everaldo Luna (Cotel), em Abreu e Lima. Jussara foi levada para a Colônia Penal Feminina do Recife. Em 20 de agosto, um laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou asfixia por esganadura como a causa da morte do cardiologista. Os três pedidos de habeas corpus feitos pela defesa de Jussara. Em dezembro passado, Danilo recebeu habeas corpus, obtendo liberdade.

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