quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Só 11% dos consumidores brasileiros podem pagar contas de janeiro


Estudo da CNDL e SPC Brasil mostra que poucas pessoas se organizaram para cumprir as despesas de início de ano e não vão conseguir quitar as contas sem parcelar, fazer empréstimo ou cortar gastos futuros

Carlos Magno Ferreira, chaveiro


Depois de passadas as festas de final do ano, o brasileiro começa a receber as contas para os pagamentos do início do ano. IPTU, IPVA, matrícula, mensalidade e material escolares, entre outros itens da lista. Um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que apenas 11% dos consumidores brasileiros têm condições de pagar as despesas sazonais, como as citadas anteriormente, com os próprios rendimentos, sem que seja necessário fazer um parcelamento, um empréstimo ou cortar gastos ao longo do ano.

Ainda de acordo com a pesquisa, 22% dos entrevistados não fizeram qualquer planejamento para pagar esses compromissos. Pelo levantamento, para 2020, a maior parte (26%) dos entrevistados precisou economizar nas festas e com as compras de Natal para conseguir pagar as despesas de início de ano.

Segundo o planejador financeiro Paulo Marostica, esse período pode se tornar uma bola de neve. “É um período em que as pessoas tendem a gastar mais. Quando não define um orçamento financeiro, a pessoa acaba sendo levada, em manada, a consumir sem um planejamento. Isso ultrapassa um limite e as pessoas não têm controle, principalmente em um país onde os juros são absurdos”, analisou Marostica.

A situação do chaveiro Carlos Magno Ferreira é uma dessas. Com contas em atraso, o chaveiro vai tentando pagar os compromissos aos poucos. “Para essas contas de início de ano não tenho dinheiro para pagar agora. Vou levar pelo menos uns três meses para fechar as contas. Além disso, estou devendo dois anos de IPTU de um imóvel no bairro do Ibura. Só tenho a renda de chaveiro, então vou pagando as contas devagar, por pedaço. Só não posso arrumar mais dívida”, contou.


Assim como Carlos Ferreira, muitos brasileiros estão com o bolso apertado. Então, o que pode ser indicado para resolver a situação? “O recomendável é que o consumidor já tenha traçado no final do ano passado um planejamento das suas despesas sazonais, separando mensalmente uma quantia para essa finalidade. Mas quem ainda não teve tempo ou nem pensou nisso precisa agilizar a organização para não passar sufoco e manter a disciplina para que as prestações não desajustem o orçamento”, indicou a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Paulo Marostica sugere que o consumidor faça um “estudo” das suas despesas para ver como fica melhor para quitar os débitos. “Existem medidas paliativas, mas o indicado seria guardar cerca de 25% da sua renda mensal para não depender das despesas apertadas. Mas, se não guardou, é preciso o cidadão fazer uma análise. A pessoa pode calcular o desconto que se oferece com o parcelamento público do IPTU e do IPVA. Depois, pode estudar um empréstimo no banco para pagar à vista e saber quanto vai precisar pagar de parcelas ao banco durante os próximos meses. Faz uma comparação para saber em que situação pode ser melhor para realizar o pagamento”, indicou Marostica.

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