terça-feira, 25 de agosto de 2026

Operação mira policiais penais suspeitos de corrupção no sistema prisional de Pernambuco

Operação Controle Paralelo: mandados contra suspeitos de integrar organização criminosa com atuação no sistema prisional - Foto: Polícia Civil de Pernambuco/Divulgação

Uma organização criminosa suspeita de operar um esquema de corrupção dentro de uma unidade do sistema penitenciário de Pernambuco é alvo da Operação Controle Paralelo, deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira (25).

De acordo com a corporação, policiais penais estão entre os investigados. Os agentes, segundo a polícia, participavam diretamente do esquema.

As investigações começaram em outubro de 2022 e apontam a existência de um esquema no qual os detentos recebiam benefícios indevidos em troca de pagamentos. 

"Os elementos colhidos indicam a atuação de uma organização criminosa voltada à prática de corrupção sistêmica, nas modalidades ativa e passiva, extorsão contra detentos e seus familiares, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro", explicou a Polícia Civil nesta terça-feira.

A corporação ainda informou que a lavagem de dinheiro era feita mediante a constituição e utilização de pessoas jurídicas vinculadas aos setores de carcinicultura (criação de camarões em cativeiro para fins comerciais) e comercialização de pescados. 

Um preso, apelidado de "chaveiro", tinha o poder de controlar e administrar pavilhões da unidade prisional. Em contrapartida, repassava valores à cúpula do esquema por meio de "testas-de-ferro", que serviam como intermediários para os membros da quadrilha.

A Polícia Civil também explicou que a movimentação financeira envolvia ainda contas de familiares de presidiários. A prática, inclusive, não se limitava ao chefe da unidade prisional, envolvendo outros policiais penais que atuavam na custódia dos detentos.

A operação cumpre nesta terça-feira um total de seis mandados de prisão e 14 mandados de busca e apreensão domiciliar, além de ordens judiciais de sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros. Todas as decisões foram expedidas pelo Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata de Pernambuco.

A Controle Paralelo é coordenada pelo Grupo de Operações Especiais (GOE), unidade do Departamento de Repressão a Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) vinculada à Diretoria Integrada Especializada (Diresp).

A Folha de Pernambuco entrou em contato com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), responsável pelo sistema prisional do estado, e aguarda o retorno. O texto será atualizado com a resposta.
 
Da redação do Blog Vertentes Notícias
Com informações da Folha de Pernambuco
 

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