Coloridos, mascarados, irreverentes e acompanhados de milhares de foliões, os papangus de Bezerros, no Agreste de Pernambuco, fizeram a festa neste domingo de Carnaval. Cerca de 100 mil pessoas acompanharam o desfile da estrela maior da folia no interior. Pouco mais de um quilômetro ao som de várias orquestras de frevo e muita animação.
Para um casal de papangus, que por tradição não revelam os nomes, desfilar já é tradição. São 10 anos de folia, este ano com novidade. “Nós podíamos ficar de fora da moda da selfie. Comprei meu próprio pau de selfie, digamos assim, “paguselfie”. Todo mudo tira selfie, o papangu tem que tirar também”, revela. Os dois participaram do concurso de fantasias, que reuniu personagens com fantasias tradicionais e estilizadas.
O grupo do Recife trouxe fantasias de outro estado para a folia. A estudante Marlene Morato, conta que sempre reúne família e amigos para curtir a folia no interior. “Este ano parte do grupo veio de baiana, homenageando a Bahia, e também tem gente vestida de Carmen Miranda. É uma festa linda, tranquila e não falta animação. É bloco de um dia só mais divertido que existe. Mal começou e já me vejo aqui ano que vem”, completa.
Já o grupo “Bruxas e Bruxos” este ano se vestiu de Pernambuco. As cores de bandeira do estado foram usadas para confeccionar a fantasia em homenagem ao ex-governador Eduardo Campos, morto em agosto do ano passado. Segundo a psicóloga Rosana Lacerda, a ideia de homenagear o político nasceu em uma conversa. “Ele sempre vinha tirar fotos com a gente. Temos vários registros dele se divertindo com nosso grupo. Não podíamos deixar de fazer um gesto para lembra-lo. Ele gostava de Carnaval. Deve ficar feliz de ser lembrado”, conta.
Teve ainda quem veio para a folia com o objetivo de defender o público. O grupo de Cabo de Santo Agostinho mesclou entre as fantasias heróis dos quadrinhos e bombeiros, para eles heróis da terra. “Viemos proteger a multidão de possíveis invasores e de gente ruim. Já os bombeiros vão manter a paz e apagar o fogo de quem quiser brigar por aqui”, comenta o operador de máquinas Ezequiel Pinheiro, pela primeira vez na folia de Bezerros.
Mais a folia também tinha espaço para quem não teve tempo de planejar ou comprar uma fantasia. O casal de Santa Cruz do Capibaribe, Luiza e Antônio Maciel, vieram para festa depois de uma noite inteira no Recife Antigo. “Temos que aproveitar, porque o Carnaval dura pouco. Não tinha fantasia e nem tive tempo de procurar por alguma coisa. Coloquei uma maquiagem mais forte e um enfeite no cabelo, e vim ser feliz. O bom do Carnaval é isso, a gente é feliz de qualquer jeito”.
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