Por mais que os editores ressalvem que as opiniões, em artigos e cartas assinados pelos leitores / colaboradores, não refletem, necessariamente, a linha de pensamento do órgão noticiador, algumas missivas e textos tornam-se “nati mortos” para não incomodar certas e determinadas autoridades de plantão.
É natural tal refugo. Pois, por mais contraditório que possa transparecer, o sistema capitalista está presente em todos os setores da vida social.
Pelas verdades até aqui contidas neste pequeno artigo, a presente lauda está propícia à proscrição e morrer em seu nascedouro.
Outrossim, olho pelo retrovisor da carruagem do tempo e relembro a velha redação do Diário da Manhã, na rua do Imperador D. Pedro II, fundado por Carlos de Lima Cavalcanti, em 1927, e que foi meu ABC do jornalismo entre 1974 e 1976, mais precisamente na crônica policial.
Os matutinos do Recife de então eram vizinhos próximos. O mais antigo em circulação na América Latina – O Diario de Pernambuco – funcionava majestosamente, na Praça da Independência, nº 12 – (aliás a Pracinha do Diario, como até hoje é conhecida).
O Jornal do Commercio, fazia esquina com a Rua do Imperador D. Pedro II e a Rua Marquês do Recife, local onde em breve funcionará a nova sede da Seccional da OAB/PE.
Naquela época ainda não existia a Folha de Pernambuco, cujas instalações ocupam prédios entre a Avenida Marquês de Olinda e a Rua Vigário Tenório, no Recife Antigo.
Estes são os quatro jornais matutinos que há mais tempo estão em circulação no Estado de Pernambuco. E, na história do Jornalismo escrito em Pernambuco, matutinos e vespertinos revezaram-se. Recordo-me do Diário da Noite, que saia sempre às ruas nos finais de tarde.
Mas, foram nos três matutinos recifenses: Diario de Pernambuco, Jornal do Commercio e Folha de Pernambuco, que foram publicadas mais de 150 cartas de nossa lavra, no ano 2000 e outras tantas no ano 2001. Das tais cartas nasceram meus dois primeiros livros: Cartas de Um Parágrafo Só e Cartas Sem Antraz & Outros Escritos Mais, ambos publicados pela Editora Universitária da UFPE, no biênio 2001/2002.
Atualmente os matutinos mais antigos mudaram de endereço e entraram em definitivo nos segmentos de rádio e de TV. São vizinhos novamente, porém agora no bairro de Santo Amaro.
Quer queiram, quer não, o apoio da população para um – “ dia a dia” – melhor dos mais carentes, encontra-se na imprensa escrita, falada e televisada. Mas, é na imprensa escrita que se perpetuam as denúncias dos fatos. Historicamente é lindo ler notícias publicadas há 150 anos. É a própria imprensa escrita que retrata, em pormenores arquivados, a história da imprensa falada e televisada.
Em primeira mão a imprensa escrita nacional acompanhou e publicou todas as reformas ortográficas ocorridas no Brasil até hoje.
E por falar nisso estamos em mais uma fase de transição, que nem ata e nem desata. Adiaram por três anos a obrigação do uso da nova escrita culta padrão do Brasil. E o pior, nada está se fazendo para conscientização neste período de transição. Hoje convivemos com a ambiguidade da escrita, podendo usar-se uma ou outra versão.
Enfim, os matutinos cumprem muito bem com seu dever de fazer a população ficar informada e escrevendo corretamente. Vida longa a todos eles que vêm retratando com brilho e verdade a história de Pernambuco e de sua gente. Fonte: Jornal de Caruaru

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