sábado, 29 de dezembro de 2018

Pacientes denunciam falta de medicamentos na Farmácia do Estado em PE


Remédios para epilepsia e para obstrução pulmonar são alguns dos que estão em falta. Governo afirma que houve problema com fornecedores.


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Pacientes que dependem de medicamentos para controlar doenças como epilepsia e obstruções pulmonares crônicas não têm encontrado os remédios na Farmácia do Estado, que fica no Centro do Recife. Eles denunciam que alguns remédios estão em falta há nove meses. (Veja vídeo acima)

Desde que descobriu um tumor na cabeça, há 18 anos, Juliana Negueiros sofre com crises de epilepsia. Para controlar a doença ela precisa tomar diariamente 10 comprimidos de dois remédios diferentes. Mas, nos últimos meses, eles não têm chegado na Fármacia do Estado.

"Eu tenho que tomar por causa da epilepsia. Foi um remédio que controlou parcialmente. Eu posso estar aqui conversando com você, falar um monte de besteira e também não escutar direito o que você diz, ou então andar pegando nas coisas, no cabelo, no meu pai", diz Juliana sobre os efeitos da falta de remédio.

Ela conta que há pelo menos seis meses a farmácia não disponibiliza a Lamotrigina, um dos remédios que precisa tomar. O outro medicamento, o Globasan, também está em falta.

Para não atrapalhar o tratamento da filha, o motorista de aplicativo José Anderson Neves conta com a ajuda de amigos e parentes para comprar a medicação, que tem um custo de R$ 700 mensais, valor que a família não tem condições de pagar.
"Ela não pode ficar sem tomar o remédio de maneira nenhuma, porque se não ela vai cair, vai ter uma série de coisas. Então, a gente faz todos os sacrifícios, diminui outras despesas, arruma o dinheiro ou cartão de crédito para parcelar, mas compramos de qualquer maneira", diz o motorista.

E não são apenas os medicamentos para epilepsia que estão em falta. Desde que operou o pulmão, o aposentado Clóvis Freitas Coelho, de 71 anos, precisa tomar Brometo de Tiotrópio todos os dias. Apesar disso, faz nove meses que ele vai até a Farmácia do Estado e não encontra a medicação.

"[Sem o remédio] Eu não aguento, eu canso. Daqui para ali, eu fico morrendo de cansaço. É um absurdo. O governo fazer um negócio desse com a população é ridículo. Não sou só eu, são vários que estão aí", afirma o aposentado.

Com uma câmera escondida, a equipe da TV Globo entrou na farmácia e perguntou aos funcionários sobre alguns medicamentos: a Lamotrigina e o Globasan, utilizados por Juliana; e o Brometo de Tiotrópio, que Clóvis faz uso, também comercializado com o nome de Spiriva.

Segundo os funcionários do local, todos eles estão em falta, sem previsão para reposição. "Até o momento a Secretaria [de Saúde] não passou nada para a gente", disse um dos funcionários.

Resposta

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde disse que o remédio Lamotrigina é fornecido nas apresentações de 100, 50 e 25 miligramas. O governo aponta que os comprimidos de 100 miligramas foram comprados, mas houve atraso na entrega e a distribuidora responsável já teria sido notificada pela demora no abastecimento. Outra remessa do produto está em fase de compra para evitar novos atrasos.

A Secretaria de Saúde explicou que os comprimidos de 25 miligramas do medicamento foram comprados e a empresa ainda cumpre prazo legal de entrega. A nota diz também que, na última licitação para a compra do Lamotrigina de 50 miligramas, nenhuma empresa compareceu à licitação e um novo processo para a compra foi iniciado.

Sobre o remédio Clobazam, a secretaria disse que há estoque do medicamento na apresentação de 20 miligramas e os comprimidos de 10 miligramas estão em fase de licitação. Já o brometo de tiotrópio foi adquirido, mas houve atraso na entrega do produto.

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