terça-feira, 20 de agosto de 2019

'A chance de perder o reimplante é altíssima', diz especialista em microcirurgia reconstrutiva


'Estou muito feliz e entusiasmado de poder ajudar a Débora e muito otimista em sua recuperação', diz o médico Marco Maricevich


Neste final de semana, o médico Marco Maricevich chegará a Ribeirão Preto para integrar a equipe de microcirurgia reconstrutiva responsável pelo tratamento da auxiliar de ensino infantil Débora Stefanny Dantas de Oliveira, de 19 anos, que teve o couro cabeludo e parte do rosto arrancados em um acidente de kart, no Recife. O profissional é professor assistente do serviço de cirurgia plástica do centro hospitalar de referência Baylor College of Medicine, de Houston, nos Estados Unidos, e acompanha o caso da jovem desde o início.

Segundo Maricevich, que é especialista em microcirurgia reconstrutiva, ele vem ao Brasil a convite do cirurgião plástico Daniel Lazo, responsável pelo tratamento da auxiliar de ensino infantil no Hospital Especializado Ribeirão Preto, centro de referência para casos de microcirurgias reparadoras. "Estou muito feliz e entusiasmado de poder ajudar a Débora e muito otimista em sua recuperação. Ela está em um centro de excelência e recebendo os melhores cuidados", disse.

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Débora está internada na unidade de saúde em Ribeirão Preto desde a noite de domingo (18), após ser transferida em um avião particular do Hospital da Restauração (HR), em Recife, onde estava sendo acompanhada. Assim que chegou ao hospital a jovem foi submetida a uma abordagem cirúrgica, na qual foi constatado que ela perdeu o reimplante realizado no HR, devido a uma trombose venosa. Segundo boletim médico divulgado ontem, ela encontra-se em recuperação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), consciente e orientada.

Nesta quinta-feira (22), a jovem começará a fazer transplantes microcirúrgicos e reconstituição das pálpebras. Neste dia, será feita a preparação para as próximas etapas do tratamento. O cirurgião plástico Marco Maricevich já havia dito que o caso de Débora é dramático. “Esse é um caso dificílimo. Os vasos estão traumatizados, assim como o tecido. Essa situação faz com que a probabilidade de trombos e coágulos seja maior, e a chance de perder o reimplante é altíssima”, falou em entrevista à Folha de Pernambuco.

Débora estava andando de kart com o namorado em uma pista no estacionamento do Walmart, em Boa Viagem, na zona Sul do Recife, quando o cabelo soltou da touca e ficou preso no motor. A pele foi arrancada desde a altura dos olhos até a nuca. A jovem foi socorrida pelo namorado e levada ao HR, onde foi feito o reimplante do couro cabeludo. Os médicos conseguiram recuperar e reimplantar 80% da área atingida. Contudo, na última quinta-feira (15), os médicos do Recife apontaram o risco de o procedimento não funcionar devido ao aparecimento de obstruções nas veias e artérias da área operada.

Investigação
A Polícia Civil de Pernambuco abriu inquérito para investigar o acidente. Segundo o delegado Alfredo Jorge, responsável pelo caso, oito pessoas foram ouvidas até agora, mas a conclusão do inquérito deve demorar, pois depende dos resultados das perícias e do depoimento de Débora. A pista de kart onde aconteceu o acidente funcionava sem alvará e era administrada pela empresa Adrenalina Kart. O local foi interditado há uma semana, um dia após o acidente, em fiscalização feita pelo Procon-PE e Corpo de Bombeiros.

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