quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Acúmulo de lixo forma 'ponte' no rio Jaboatão, no Grande Recife


Material reutilizável, como garrafas, baldes de plástico e papelão, se acumula nas imediações da avenida Manoel Rabelo, em Engenho Velho



Na correria das ruas, quem passa da Curva do Caranguejo, na avenida General Manoel Rabelo, no bairro de Engenho Velho, pode não perceber, à primeira vista, a camada de lixo que cobre uma parte da superfície do rio Jaboatão, no Grande Recife. Da margem, uma pequena trilha leva ao ponto onde o esgoto que vem da comunidade do outro lado da avenida encontra o acúmulo de rejeitos. Garrafas, baldes de plástico, isopor, papelão e outros resíduos formam uma “ponte” de material reutilizável por onde os mais corajosos se dispõem a caminhar até a outra margem.

“Eu subo, passo por aqui sempre. Já cheguei a pescar aqui quando dá cheia. E dá muito bicho, rato, escorpião, cobra. Quando está tudo cheio, duro, a gente joga bola”, conta Salomão Santos do Nascimento, de 14 anos. Mesmo com um volume de dejetos um pouco menor, o local lembra a parte poluída do rio Beberibe, no limite entre Olinda e Recife, mostrada pela Folha de Pernambuco na edição de 30 de julho. Por lá, também era possível andar sobre os rejeitos. Um problema urbano e ambiental que é agravado nos dias de chuva, quando os rios e canais transbordam e atingem as casas.

Em Jaboatão, neste inverno, não houve transbordamento como ocorreu em Beberibe, mas a água subiu quase até a avenida, segundo moradores. “O rio ficou quase rente à pista. O lixo prejudica a passagem da água, os animais. As capivaras dão cria, ficam muito aqui, [tem] jacaré. Fora que, quando chove, traz muito peixe, os meninos pescam. É um perigo, pode acontecer um acidente”, alerta a comerciante Regina Pereira, 59.

“Aqui é a questão do mato que invade o rio e a sujeira se acumula”, afirma o pedreiro Ezequias Roberto da Silva, 28, que mora há 20 anos na localidade e se diz acostumado a andar por cima do lixo. “A gente já tem certa experiência”, brinca. O professor Victor Hugo Araújo, 28, é morador do condomínio que fica na margem oposta à da avenida Manoel Rabelo. Ele lamenta a falta conscientização. “A população joga esse lixo e acaba prejudicando todo o ambiente”, ressalta.

A Prefeitura de Jaboatão informou que faz a coleta nas margens, mas a limpeza no leito do rio é de responsabilidade do Governo do Estado. Por meio de nota, a Secretaria de Infraestrutura e Recursos Hídricos de Pernambuco (Seinfra) disse que, de acordo com a lei 12.305/2010, o recolhimento de resíduos sólidos dos rios é da responsabilidade dos municípios e que, ao governo estadual, cabe o serviço de dragagem, dentre outras atribuições de gestão das águas.

O texto afirma ainda que está à disposição da prefeitura e da sociedade civil para participar de ações de informação e sensibilização social sobre os impactos ambientais causados pelo descarte inadequado de resíduos no rio Jaboatão.

A reportagem procurou novamente a prefeitura para esclarecer sobre a responsabilidade pelo serviço de limpeza do rio. O poder público municipal informou que uma equipe foi enviada ao local para analisar as medidas a serem tomadas.

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