quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Quem é o príncipe saudita com quem Bolsonaro diz ter afinidade?


Nesta terça (29), ao encontrá-lo em Riad, o presidente Jair Bolsonaro disse ter "certa afinidade" com o líder



Desde que assumiu o trono saudita em 2017, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman (MBS) frequenta o noticiário tanto pela agenda repressora que implantou contra dissidentes quanto por modernizações que melhoraram a vida dos habitantes do país.

Nesta terça (29), ao encontrá-lo em Riad, o presidente Jair Bolsonaro disse ter "certa afinidade" com o líder. O governo saudita corta bolsas de estudo de cidadãos que estudam fora, envia convocações para que imigrantes voltem ao país (onde são presos ou ameaçados), além de prender familiares que moram no exterior.

Um caso que ficou conhecido em 2018 foi o de Raif Badawi, irmão de Samar Badawi, ativista que desafiou a poderosa monarquia árabe ao lutar por poder dirigir e votar. Raif foi condenado a dez anos de detenção e a mil chibatadas por criar um blog que o governo considerou subversivo.

A família tem parentes que vivem no Canadá, e a prisão de Raif gerou um incidente diplomático entre o país da América do Norte e a Arábia Saudita, depois que a ministra do Exterior canadense apelou por sua libertação.

Outro episódio a manchar a imagem do príncipe de 34 anos foi a morte em 2018 do jornalista saudita Jamal Khashoggi, crítico do governo e colunista do Washington Post. O repórter foi assassinado e esquartejado após entrar no consulado da Arábia Saudita em Istambul, e seus restos mortais nunca foram encontrados.

MBS assumiu há poucas semanas a responsabilidade em nome do país, mas negou envolvimento direto no assassinato.

Além disso, a Arábia Saudita foi o terceiro país que mais aplicou a pena de morte em 2017, atrás apenas da China e do Irã: segundo dados da Anistia Internacional, foram 146 execuções registradas naquele ano.

Por outro lado, MBS tomou uma série de medidas que modernizaram a nação nos últimos dois anos. Entre as reformas realizadas estão, além do fim da proibição de mulheres dirigirem, o enfraquecimento do poder da polícia religiosa, a permissão a mulheres de frequentarem estádios esportivos e a liberação de cinemas comerciais e de shows de música.

Mas ativistas reclamam de leis discriminatórias que continuam em vigor, como o sistema de guardiões masculinos, pelo qual as mulheres precisam de autorização de um homem da família para tirar passaporte, se casar ou se matricular em universidades, por exemplo.

Na semana passada, o príncipe revogou a exigência de uso da abaya para estrangeiras, uma túnica larga e negra obrigatória para mulheres sauditas no país, mas a grande maioria das mulheres mesmo de fora não se sente à vontade para tirar a vestimenta.

Até poucos anos atrás, a Arábia Saudita tinha uma polícia religiosa que punia mulheres que não utilizassem a abaya e um véu cobrindo os cabelos e a boca.

Já homens locais podem utilizar roupas típicas -uma túnica branca com um lenço estampado- ou ocidentais, mas não vestem bermuda acima dos joelhos.

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