sábado, 30 de novembro de 2019

Mercado da bola nas redes sociais


O DVD com os melhores lances ainda existe, mas os jogadores hoje tem diferentes plataformas disponíveis para ganhar visibilidade

Atletas estão recorrendo a outras formas para apresentação, fugindo do tradicional DVD com os melhores lances



A forma com que os jogadores de futebol estão se mostrando para o mercado da bola está passando por uma mudança. Com o fim da temporada se aproximando, os profissionais do mundo da bola dão indícios de que ter uma boa imagem nas redes sociais pode ser um bom fator para permanecer no seu clube atual ou de buscar um novo clube. Por conta da tecnologia e das redes, os empresários e atletas estão recorrendo a outras formas para apresentação, fugindo do tradicional DVD com os melhores lances, ou com vídeos em plataformas específicas.

Em Pernambuco, um exemplo prático de um atleta que tem a sua presença em uma rede social não muito comum para os jogadores de futebol é o goleiro do Sport, Luan Polli. O atleta criou um perfil no LinkedIn em 2017, uma rede social voltada para negócios e conta que escolheu a plataforma para ter mais uma possibilidade de se mostrar ao mercado do futebol. “Eu criei o perfil em um momento que eu estava desempregado fora do Brasil e escolhi por ser uma rede social mais voltada para o profissional e não para o entretenimento. Lá eu coloquei as minhas informações para poder conseguir conversar com algum treinador, preparador de goleiros de algum time do exterior, até porque lá isso é muito comum”, disse.


De acordo com o goleiro, o principal ganho com a rede social foi no aspecto dos contatos feitos com as pessoas, o que pode trazer um grande benefício no futuro. “Através dele eu contatei algumas pessoas, mas não foi muito a fundo, contatei com treinadores e preparadores da minha posição. Apesar disso, foi um networking grande dessa maneira, para o futuro pessoas me conheceram a partir desse contato. Eu acho que o profissional de futebol ele tem uma fama não tão positiva de ser uma pessoa sem estudo, não falar certo, e a minha família sempre me cobrou para estar em coisas não só do futebol em si, então se posicionar nas redes é algo muito positivo”, afirmou Polli.

Prova desse novo processo existente, é a plataforma digital criada pela startup AtletasNow, que surgiu em 2018 com um marketplace voltado para dar uma nova cara ao mercado esportivo, não só no mundo do futebol. A empresa desenvolveu uma plataforma que permite conectar atletas, faculdades, patrocinadores, nutricionistas e outros profissionais do setor, para fazer com que o contato entre as pessoas que integram esse mercado seja feito de forma mais prática, em um local onde 84 modalidades esportivas podem se conectar.

Segundo o CEO da startup José Pedro Mello, o grande objetivo é fazer com que os jogadores tenham um impacto maior em novas oportunidades de negócios e recrutamento. “Com isso é possível criar um perfil dentro dela, com informações pessoais, estatísticas da modalidade que pratica, tudo isso conectado entre atletas, profissionais do setor, prestadores de serviços que ajudam eles a conseguir algo, e as instituições, como clubes, federações. Eu vi a dificuldade de apresentação no mundo esportivo e também de depender de alguma pessoa”, afirmou.

A marca já conta com mais de 12,5 mil atletas, sendo a maioria ligada ao futebol. José Pedro conta ainda que a tecnologia chega como um recurso positivo para auxiliar os jogadores fora das quatro linhas. “A tecnologia ela só tem a agregar não só no desempenho e parte física. Quando atletas entram nas principais redes sociais, você consegue achar pessoas que procuram divulgar o seu talento, saindo da normalidade, como dvd, indicação, peneiras”, disse o CEO da AtletasNow.

Para o empresário Ytalo Pontes, no atual mercado do futebol, os clubes conseguem ter acesso à informações dos jogadores de forma mais fácil, muito por conta da tecnologia. “Hoje a informação já é muito clara, os clubes tem uma facilidade de ter informação do atleta. Os analistas de desempenho, por exemplo, são pessoas que passam um relatório dos jogadores, por meio das plataformas. O que acontece muito são os atletas sem ter conhecimento se expõem demais. É uma coisa boa, que tem que saber ser utilizada, mas pode ter um ganho grande e um prejuízo”, analisou Ytalo.

O empresário aponta ainda que o comportamento nas redes sociais já é um fator levado em consideração no futebol europeu “Um fato curioso é que estávamos vendo na Inglaterra o processo de qualificação dos clubes ingleses na contratação dos jogadores. Lá eles avaliam os números, imagens, e a vida pessoal do atleta, como perfis em redes sociais, só passa para uma parte de negociação se houver aprovação nessas plataformas, essa é uma tendência”, contou.

Para o gerente de futebol do Náutico, Ítalo Rodrigues, a rede social é um fator levado em consideração quando o clube faz alguma contratação, principalmente quando o atleta não tem um bom histórico. “Nós levamos em consideração pelo histórico de determinados jogadores fazemos um acompanhamento, se ele tem um histórico meio conturbado, é bom ver para ter um feedback. Pode ser bom se ele tiver uma boa imagem nas redes, um perfil organizado e bem administrado, se a gente tiver interesse no jogador e a gente ver que ele está bem nas redes, esse pode ser um fator decisivo e importante para a contratação”, disse Ítalo.

Por outro lado, o gerente alvirrubro afirma que as redes sociais são positivas para o mercado, mas destaca que para desempenho e qualidade, existem plataformas específicas. “Essas ferramentas no futuro podem até ser algo que um dia seja feito para monitoramento, conseguir alguma informação sobre desempenho. Mas hoje nós temos plataformas específicas onde podemos observar o desempenho de cada jogador, com números atualizados sobre atuação, é uma ajuda, mas a rede social também consegue agregar”, destacou.

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