quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Camelódromo do Centro do Recife pode ganhar rodoviária


Projeto para transformar o último módulo do equipamento público em um mini terminal intermunicipal de ônibus já está sendo elaborado

Avenida Dantas Barreto, Centro do Recife


A Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano (Semoc) do Recife estuda fazer uma mini rodoviária no sexto módulo do Camelódromo da avenida Dantas Barreto, próximo à praça Sérgio Loreto, no Centro da Cidade. Na próxima semana, o secretário João Braga apresentará aos donos das empresas que operam linhas intermunicipais naquela região uma primeira proposta de reforma ou adaptação do espaço. Há décadas, no local funciona uma espécie de terminal. Atualmente, quatro empresas operam no espaço com viagens para cidades como Goiana, na Região Metropolitana, e Limoeiro, no Agreste. Quem usa o serviço reclama da situação de abandono no trecho.

Segundo Braga, no fim da semana passado ele visitou o camelódromo com os operadores e na última segunda-feira voltou ao local com uma arquiteta da Prefeitura, que está fazendo o primeiro esboço do projeto. "É um espaço muito degradado que precisa de uma reforma urgente. Seria uma obra importante porque vai melhorar e dar mais funcionalidade ao local e aproveitar o próprio espaço onde tem um equipamento público", disse o secretário. Ainda de acordo com Braga, inicialmente, é que toda a obra seja financiada pelo setor privado. "É uma possibilidade, nada concreto, pois temos que ver se o equipamento serve para isso", acrescentou. Não há prazos nem valores definidos.

Toda semana o auxiliar de serviços gerais Rafael Freire dos Santos, 23 anos, usa o terminal improvisado para voltar para casa, na cidade de Timbaúba, na Mata Norte. Uma das primeiras reclamações dele foi a falta de abrigo para esperar os ônibus. "Conforto zero. Ficamos expostos ao sol e a chuva. A nossa sorte é que os ambulantes disponibilizam bancos ou cadeiras para a gente sentar um pouco. Deveria haver um interesse maior tanto do poder público quanto das empresas para oferecer um espaço melhor para quem depende desse terminal", comentou. Em um dos lados do camelódromo, ambulantes montaram toldos e embaixo deles colocaram bancos para os passageiros e possíveis clientes sentarem.

No largo do módulo 6, diariamente funciona uma "feira do troca", que segundo frequentadores do espaço, há produtos roubados. As pessoas também reclamam da falta de segurança. Em plena tarde de quarta-feira, um grupo de pessoas em situação de rua usavam drogas na frente de todos, aparentemente sem medo de serem repreendidos. A reportagem ficou pouco mais de uma hora no camelódromo e durante esse período apenas uma viatura da Polícia Militar passou no local. Procuramos a corporação para saber como é feita a segurança no local, mas até o fechamento desta edição não recebemos resposta.

Há cerca de 20 anos, Erivaldo Vieira de Almeida, 40, trabalha como motorista nos ônibus intermunicipais que partem da Dantas Barreto. Entre as dificuldades apontadas por ele está a falta de local para estacionar os coletivos. "No período da manhã é o pior horário, pois muitos ambulantes, comerciantes deixam os carros aqui nas proximidades. Temos que ficar dando voltas até encontrar uma vaga", disse. Já o cobrador Josivan Pereira da Silva, 49, destaca a falta de banheiros para atender aos usuários. "Muitas vezes as pessoas vão fazer uma viagem longa e por não ter um ponto de apoio aqui acabam urinando nas ruas. Fica um mal cheiro enorme."

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