| Vítimas de incidentes com tubarão no Recife colocam próteses em tratamento de reabilitação - Foto: Instagram @ortopediaboaviagem/Cortesia |
As duas vítimas de incidentes com tubarões em Pernambuco em maio e junho deste ano receberam próteses para seguirem com a adaptação à nova vida.
João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, e Marcela Vitória de Lima, 19, tiveram membros amputados enquanto mergulhavam, respectivamente, nas praias de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, e de Boa Viagem, na Zona Sul da cidade.
A evolução do tratamento foi publicada nas redes sociais pela clínica Ortopedia Boa Viagem, localizada no bairro da Boa Vista, Centro da capital. O perfil também chegou a compartilhar vídeos das sessões de fisioterapia com ambos e os trabalhos regenerativos que foram feitos.
Em entrevista à Folha de Pernambuco, o fisioterapeuta Tiago Bessa, que atuou e acompanhou de perto o tratamento dos dois, explicou o processo de reabilitação pelo qual uma pessoa precisa passar até a colocação das próteses.
Segundo o especialista, a reabilitação é individualizada, e, portanto, varia de paciente para paciente. No primeiro momento, é feito um trabalho de controle de dor, seja no membro "fantasma" -aquele que já não está mais no corpo do paciente- ou não.
Depois disso, há um fortalecimento do membro residual, chamado de "coto de amputação", para que o corpo possa drenar o edema deixado.
"A gente trabalha a mobilidade do paciente, das articulações, a força e o ganho de força muscular, que são muito importantes para o equilíbrio. A preparação do paciente de uma forma geral para poder receber essa prótese. Nessa avaliação inicial, a gente vai sugerir os tipos de próteses que são indicados para o paciente, por exemplo, tipos de joelhos, tipos de encaixes da prótese", afirmou o fisioterapeuta.
"Existem uma variedade muito grande de joelhos, de pés, de tipos de encaixe. A gente considera esses encaixes como uma das partes principais da prótese, onde o corpo do paciente, a região residual, vai se conectar com a prótese. Então tem que ser muito confortável com um critério muito grande para esse paciente poder colocar carga dentro dessa prótese de forma confortável", destacou.
Uma vez que a prótese seja confeccionada, é feita uma série de exercícios de transferência de peso. Isso tudo varia, claro, da tolerância do paciente, já que é um processo que exige muito física e mentalmente.
"É importante salientar que todo o processo, a gente procura respeitar o tempo de cada paciente. Tem paciente que vai demorar um pouco mais a caminhar sem as muletas, alguns outros pacientes vão caminhar um pouco mais rápido sem as muletas, então a gente respeita e estabelece algumas metas possíveis, e sempre criando um ambiente na clínica de segurança, de confiança, para que ele possa ir evoluindo de uma forma natural", explicou.
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| Vítimas de incidentes com tubarão no Recife colocam próteses em tratamento de reabilitação | Foto: Instagram @ortopediaboaviagem/Cortesia |
Nos casos de pacientes que passaram por experiências traumáticas, o cuidado exige uma atenção redobrada. Ainda assim, poder contribuir para a reabilitação dessas pessoas, segundo o especialista, é um privilégio.
"Participar desse processo de reabilitação é uma grande responsabilidade e um privilégio. A gente poder contribuir de alguma forma para que esse paciente se recupere, se reabilite e possa voltar para as suas suas atividades rotineiras de forma natural e adaptada muitas vezes", disse.
Relembre os casos
Em 31 de maio, João Lucas Castor Nemesio Sales, de 11 anos, foi mordido por um tubarão-cabeça-chata na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, e teve a perna esquerda amputada.
Um dia depois, em 1° de junho, Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, foi mordida por um tubarão da espécie tigre. Ela teve a perna direita amputada pelo próprio animal.
Com os dois casos, Pernambuco acumula um total de 84 incidentes com tubarões desde 1992, quando os dados começaram a ser contabilizados pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit).
Da redação do Blog Vertentes Notícias
Com informações da Folha de Pernambuco

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