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sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Justiça concede prisão domiciliar ao Padre Airton Freire da Fundação Terra; ele é réu por crimes sexuais

Padre Airton Freire - Foto: Divulgação

O padre Airton Freire, réu por crimes sexuais, aguardará julgamento cumprindo prisão domiciliar, segundo comunicado emitido pela defesa do religioso, no início da tarde desta quinta-feira (24).

Os advogados do padre afirmam que a decisão foi tomada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), durante avaliação do pedido de habeas corpus.

A sessão, ainda segundo a defesa de Airton, teria sido realizada nesta quinta, por três desembargadores da Câmara Regional de Caruaru, e o resultado seria de dois votos favoráveis e um contrário ao pedido de prisão domiciliar.
"O advogado Marcelo Leal fez sustentação oral na qual reiterou que o sacerdote é inocente, sofre severos problemas de saúde e é alvo de falsas acusações", diz a nota da defesa.
Procurado pela reportagem da Folha de Pernambuco, o TJPE informou que os processos e procedimentos que tratam de crimes contra a dignidade sexual correm em segredo de justiça.

O TJPE afirmou também que não pode divulgar informações sobre os trâmites, decisões, julgamentos ou recursos, “ficando o acesso aos dados limitados apenas às partes envolvidas e aos seus advogados/representantes legais”.

Relembre o caso

Airton Freire, de 67 anos, foi preso no dia 14 de julho deste ano, após denúncias de crimes sexuais. Contra ele, foram abertos cinco inquéritos policiais, sendo dois já concluídos, garantindo o pedido de prisão preventiva por parte da Justiça.

O religioso foi denunciado, inicialmente, por uma seguidora, a stylist Sílvia Tavares de Souza, que diz ter sido vítima de estupro orquestrado por Airton.

Depois, a existência de novas denúncias foi apresentada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

Airton foi preso numa cela individual do Presídio Advogado Brito Alves, em Arcoverde, no Sertão de Pernambuco.

Problemas de saúde

O padre deixou a prisão no dia 23 de julho, para ser internado no Recife, depois de ter sofrido um pico de pressão alta.

Na última segunda-feira, 14 de agosto, o padre foi submetido a uma cirurgia para substituição da válvula aórtica. No dia 20, teve uma complicação em decorrência do procedimento e precisou ser transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital particular onde está internado.

Nessa quarta-feira (23), Airton passou novamente por cirurgia. Desta vez, para a implantação de um marca-passo, segundo informou a defesa.
“Na sustentação, deixamos claro que o padre corre, conforme os laudos médicos, risco altíssimo de morrer na prisão, onde não poderia ter atendimento médico adequado e rápido”, explicou o advogado Marcelo Leal.
Da redação do Blog Vertentes Notícias
Com informações da Folha PE

sexta-feira, 14 de julho de 2023

Padre Airton Freire, da Fundação Terra, é preso em Arcoverde

Padre Airton Freire, em foto de arquivo — Foto: Fundação Terra/Divulgação

O padre Airton Freire, da Fundação Terra, foi preso na manhã desta sexta-feira (14) em Arcoverde, no Sertão de Pernambuco. Ele estava suspenso das atividades religiosas desde o mês de maio por suspeita de envolvimento em crime de estupro.

De acordo com a Polícia Civil, além do mandado de prisão, houve ainda o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em Arcoverde dentro das diligências do caso.

A personal stylist Silvia Tavares de Souza acusa o sacerdote de participar de um estupro sobre o qual denunciou ter sido vítima, em agosto de 2022. No dia 31 de maio, ela foi ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual, no Centro do Recife, para pedir a conclusão da investigação do caso.

O caso corre em segredo de Justiça e é investigado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e pela Polícia Civil, que receberam a denúncia em novembro e dezembro de 2022, respectivamente. No dia 30 de maio, o padre foi suspenso pela Diocese de Pesqueira, no Agreste do estado (saiba mais abaixo).

O crime de estupro, segundo a mulher, foi praticado a mando do padre, por um motorista dele, chamado Jailson Leonardo da Silva, de 46 anos. O padre Airton Freire nega as acusações.

Em nota, os advogados do padre afirmam que "surpreendeu a defesa do padre Airton Freire a decisão de decretar a prisão preventiva do sacerdote. O feito é totalmente contrário às condições previstas em lei e será tratado em habeas corpus a ser impetrado pela defesa. Importante lembrar que o padre, um homem de 67 anos, sofre sérias restrições de saúde (leia na íntegra abaixo)".

Nota da defesa de Padre Airton Freire

Surpreendeu a defesa do padre Airton Freire a decisão de decretar a prisão preventiva do sacerdote. O feito é totalmente contrário às condições previstas em lei e será tratado em habeas corpus a ser impetrado pela defesa. Importante lembrar que o padre, um homem de 67 anos, sofre sérias restrições de saúde.

A decisão ignora que o padre havia se afastado das funções eclesiásticas e da presidência da Fundação Terra, onde desenvolve um trabalho social que atendeu milhares de pessoas nos últimos 40 anos. Depois do afastamento, ficou isolado em sua residência — que é fixa, onde ele pode ser encontrado a qualquer momento —, de forma a não interferir nas investigações. Apesar de todo o apoio que tem recebido de milhares de pessoas na internet e em manifestações públicas nas ruas de Arcoverde (PE), o padre jamais estimulou ou insuflou movimentos, de modo a não causar comoção social ou desordem pública. E mais: agiu de boa fé ao concordar em se apresentar espontaneamente à Justiça após a decretação da prisão, sem criar mecanismos de retardamento do cumprimento da ordem legal.

Acusação de estupro

Silvia e padre Airton, em uma das visitas dela à Fundação Terra — Foto: Reprodução/WhatsApp

Segundo Sílvia Tavares, ela e o padre Airton tinham uma relação de proximidade. A personal stylist chamava ele de "padinho" e que ele a chamava de "minha princesa". Sílvia Tavares disse que frequentava retiros espirituais organizados pelo padre desde 2019, na Fazenda Malhada, em Arcoverde, no Sertão do estado, e que participou de, pelo menos, 25 desses eventos religiosos.

Os dois teriam se conhecido quando ela buscou a ajuda dele para tratar uma depressão. Sílvia contou que, durante um desses retiros, foi chamada pelo padre para ir a uma pequena casa isolada, a que a mulher se refere como “casinha”, onde ficavam os aposentos do padre.

Cronologia do crime, segundo Sílvia Tavares:
  • Em 17 de agosto de 2022, padre Airton mandou um áudio para Sílvia, pedindo que ela fosse à “casinha” às 6h30 do dia seguinte.

  • O motorista Jailson levou a mulher para o local, onde o padre estava deitado de bruços, coberto com um lençol de seda.

  • Ele pediu uma massagem e, mesmo estranhando o pedido, a mulher fez, mas se assustou ao perceber que, sob o lençol, ele estava sem cueca. Ela, então, saiu da cama.

  • Em seguida, Jailson se aproximou da mulher com uma faca e a ameaçou. Enquanto se masturbava, o padre ordenou que ele a estuprasse.

  • Com o próprio celular, o padre tirou fotos da mulher e de Jailson nus, juntos. Depois, mandou que eles tomassem banho e acariciou os órgãos genitais do motorista.
Afastado das atividades religiosas

Desde o mês de maio, a Diocese de Pesqueira decidiu suspender o padre Airton Freire das atividades religiosas. O documento publicado no dia 30 de maio determinou que o sacerdote não tem jurisdição para presidir ou administrar qualquer Sacramento ou Sacramental por envolvimento no crime de estupro.

O documento assinado pelo bispo, Dom José Luiz Ferreira Salles, decreta que o padre Airton está vedado do exercício do ministério presbiteral, considerando as denúncias apresentadas por Silvia Tavares de "possível cometimento de delitos tipificados pelo ordenamento da Igreja em seu desfavor pelo padre Airton Freire".

Decreto da Diocese de Pesqueira suspende o padre Airton Freire do "Uso de Ordem" — Foto: Reprodução/Diocese de Pesqueira

Da redação do Blog Vertentes Notícias
Com informações do G1 Caruaru e Região

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Mulher acusa padre Airton de participar de estupro em propriedade da Fundação Terra

Padre Airton Freire, em foto de arquivo — Foto: Fundação Terra/Divulgação

Uma mulher acusou o padre Airton Freire de Lima, criador da Fundação Terra, de participar de um estupro sobre o qual denunciou ter sido vítima, em agosto de 2022. Nesta quarta (31), a personal stylist Silvia Tavares de Souza foi ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual, no Centro do Recife, para pedir a conclusão da investigação do caso.

O caso corre em segredo de Justiça e é investigado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e pela Polícia Civil, que receberam a denúncia em novembro e dezembro de 2022, respectivamente. Na terça-feira (30), o padre de 66 anos foi suspenso pela Diocese de Pesqueira, no Agreste do estado (saiba mais abaixo).

O crime de estupro, segundo a mulher, foi praticado a mando do padre, por um motorista dele, chamado Jailson Leonardo da Silva, de 46 anos. O padre Airton Freire nega as acusações e diz que o afastamento permitirá que as investigações transcorram com tranquilidade (confira o que dizem a polícia, o governo e a defesa do padre Airton).

Sílvia Tavares disse que frequentava retiros espirituais organizados pelo padre desde 2019, na Fazenda Malhada, em Arcoverde, no Sertão do estado, e que participou de, pelo menos, 25 desses eventos religiosos. Os dois teriam se conhecido quando ela buscou a ajuda dele para tratar uma depressão.

Ela contou que, durante um desses retiros, foi chamada pelo padre para ir a uma pequena casa isolada, a que a mulher se refere como “casinha”, onde ficavam os aposentos do padre. Foi nesse dia, 18 de agosto de 2022, que o estupro aconteceu, segundo Sílvia Tavares.

Na “casinha”, o padre teria pedido que ela fizesse uma massagem nele e mandado outro homem, o motorista, estuprá-la enquanto ele assistia e se masturbava, ainda de acordo com a mulher.

Sílvia Tavares foi até o Palácio do Campo das Princesas — Foto: Pedro Alves/g1

Sílvia Tavares contou detalhes sobre como o crime aconteceu:
  • Em 17 de agosto de 2022, padre Airton mandou um áudio para Sílvia, pedindo que ela fosse à “casinha” às 6h30 do dia seguinte;

  • Jailson levou a mulher para o local, onde o padre estava deitado de bruços, coberto com um lençol de seda;

  • Ele pediu uma massagem e, mesmo estranhando o pedido, a mulher fez, mas se assustou ao perceber que, sob o lençol, ele estava sem cueca. Ela, então, saiu da cama;

  • Em seguida, Jailson se aproximou da mulher com uma faca e a ameaçou. Enquanto se masturbava, o padre ordenou que ele a estuprasse;

  • Com o próprio celular, o padre tirou fotos da mulher e de Jailson nus, juntos. Depois, acariciou os órgãos genitais do motorista e mandou que eles tomassem banho.
"Na hora que Jailson estava me estuprando, o outro [o padre] estava se masturbando. Quando terminou, ele [Airton] simplesmente se levantou, pediu pra tomar banho, eu fui totalmente desorientada, sem saber o que estava acontecendo. Foi a hora que o outro [Jailson] também saiu do banho. Ele [o religioso] pegou no testículo de Jailson e disse 'veja que coisa linda'. Eu disse 'eu vou morrer?'. Ele disse 'não, você não vai morrer, você vai ficar calada'", afirmou Silvia Tavares.
Ainda segundo Sílvia Tavares, a relação que tinha com o padre Airton era de muita proximidade. Ela disse que chamava ele de "padinho" e que ele a chamava de "minha princesa". A devoção era tanta que a mulher tatuou na pele o símbolo da Fundação Terra e a frase "Padre Airton: creio em Deus pai".

A Fundação Terra, local onde acontecem os retiros, foi criada pelo padre Airton há 37 anos, no Sertão de Pernambuco. O objetivo era resgatar a cidadania dos moradores da região, que vivam na extrema pobreza. Há, entre a ações desenvolvidas pela ONG, ações sociais e de saúde, além da manutenção de três escolas e duas creches. A fundação também mantém um lar de idosos e casas que recebem crianças e adolescentes em vulnerabilidade social.

"Quando eu o conheci, ele olhou pra mim, me abraçou, me beijou e disse: 'você pode voltar?' e eu me senti a mulher mais importante do mundo, porque é mais fácil chegar perto do Papa que perto dele, porque ele só anda com jagunços, com seguranças, e ele disse que eu tinha livre acesso. Desde esse dia, ele começou a me chamar de princesa. Eu gostaria que muitas mulheres também tivessem essa coragem, mas eu estou por elas, falando por elas", afirmou Sílvia Tavares.

O que diz o padre Airton Freire

A defesa do padre Airton Freire de Lima enviou uma nota para o g1 na qual o sacerdote "nega a prática de qualquer ato ilícito e reafirma inocência".

O padre diz que não são verdadeiras as alegações dirigidas a ele e lamenta "ter sido alvo de acusações infundadas e injustas e já constituiu advogados para exercer sua defesa".

Na nota, o padre Airton diz também que considera "que o afastamento determinado pela Diocese de Pesqueira permitirá que as apurações transcorram com toda a tranquilidade necessária para que se apure a verdade sobre os fatos".

O que diz o governo

No Palácio do Campo das Princesas, Sílvia Tavares tentou falar com a governadora Raquel Lyra (PSDB), mas foi recebida pela secretária executiva de Políticas para Mulheres, Juliana Gouveia. A representante do governo estadual disse que a demora na conclusão do inquérito se deve ao cuidado para que não haja intercorrências no caso.

Juliana Gouveia também afirmou que ofereceu acolhimento à mulher como vítima de violência. “Ela precisava de acolhimento psicológico, e a gente também vai articular junto com a Secretaria de Saúde. Também precisava de uma advogada e, nesse caso, a gente está articulando com mulheres parceiras, para que ela possa ser acompanhada”, declarou.

Ainda de acordo com a secretária executiva, detalhes do caso não podem ser divulgados. “A gente não pode passar nenhuma informação sobre o caso agora, porque está correndo em segredo de Justiça, mas o governo de Pernambuco tem o maior compromisso para que esse inquérito possa ser agilizado e que ela possa, sim, ter justiça, para que seja acolhida e o caso dela seja solucionado”, disse.

A Polícia Civil afirmou que "está empenhada nas investigações, atuando de forma técnica e com compromisso". A corporação também disse que, "no momento, não é possível fornecer mais informações, pois o caso segue sob segredo de Justiça".

O g1 entrou em contato com o MPPE, a Polícia Civil, o Tribunal de Justiça de Pernambuco e a Fundação Terra para obter outras informações sobre esse caso, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.

A Diocese de Pesqueira também foi procurada pelo g1, mas informou que não vai se pronunciar sobre o caso para além da suspensão aplicada ao padre.

A reportagem tenta descobrir quem é o advogado responsável pela defesa de Jailson Leonardo da Silva.

Suspensão

A Diocese de Pesqueira suspendeu, de forma cautelar, o "uso de ordem" de padre Airton Freire, devido às denúncias.

Isso significa que ele, agora, não pode mais realizar atividades religiosas, como presidir ou administrar qualquer sacramento ou sacramental, como eucaristia, batismo, primeira comunhão, penitência, casamento, unção dos enfermos e extrema-unção.

A decisão foi assinada na terça-feira (30) pelo bispo diocesano de Pesqueira Dom José Luiz Ferreira Salles. O decreto considera leis do direito canônico, advertências anteriores recebidas pelo padre (sem citar casos específicos) e a gravidade dos fatos que vieram a público.

Por isso, o decreto se apresenta com a finalidade de "prevenir os escândalos e garantir o curso da justiça".

O padre Airton Freire não pode exercer o sacerdócio enquanto as investigações da polícia e da Diocese não forem concluídas.

Da redação do Blog Vertentes Notícias
Com informações do G1 Pernambuco