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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Trio de canibais dá entrevista exclusiva depois de condenação

Por Site Da TV Jornal

Reprodução/TV Jornal

O trio conhecido como "Canibais de Garanhuns" concedeu entrevista exclusiva após acondenação, que ocorreu na última sexta-feira (14), no Fórum de Olinda, no Grande Recife. Jorge Negromonte, Isabel Cristina e Bruna Cristina foram condenados pelo homicídio de Jéssica Camila Pereira da Silva, em 2008, além de agressão ao cadáver (canibalismo) e ocultação do corpo. O repórter Fernando Rodolfo, do SBT, conseguiu uma entrevista com os três logo após o julgamento.

Condenado a mais de 21 anos de prisão, Jorge Negromonte declarou que achou o julgamento justo, pois, segundo ele, "Deus é amor, mas também justiça". Ele disse que não se arrepende de nenhuma declaração dada ao longo do julgamento, pois só teria falado a verdade. Questionado sobre o laudo médico que não identificou sinais de transtorno mental nele, Jorge rebateu e afirmou que vários médicos já o diagnosticaram como esquizofrênico. Por fim, ele pediu perdão aos familiares das mulheres que matou e se disse completamente arrependido. 



Bruna, que pegou 19 anos de prisão, iniciou a entrevista agradecendo a Deus, à juíza, aos jurados e aos advogados de defesa. Ela disse que foi difícil enfrentar os dois dias de julgamento, mas acredita que a justiça foi feita, pois participou do crime e teve que ser penalizada. Questionada sobre o motivo de ter rido durante diversos momentos do julgamento, Bruna disse que sorriu por algumas colocações feitas pela promotora. Ela confirmou que durante todo o processo falou a verdade e teria dado, inclusive, informações que não constavam nos autos processuais. Ao final da entrevista, Bruna pediu perdão ao pai e à filha de Jéssica Camila. Por último, ela declarou que ama muito a filha de Jéssica e que espera que a menina possa perdoá-la um dia. 



Isabel Cristina foi condenada a 19 anos de prisão e acredita que a pena foi justa. Ela agradeceu aos advogados de defesa, à juíza e aos jurados. Quando o repórter perguntou por que ela chorou tanto ao longo do julgamento, Isabel afirmou que chorou por se sentir arrependida. Ela disse que falou a verdade em todos os momentos do processo e que espera um dia sair da prisão.


Os advogados de defesa vão apelar para reduzir a sentença dos três.


    quinta-feira, 13 de novembro de 2014

    Delegado do inquérito diz que réus confessaram crime e não demonstraram arrependimento

    Malu SilveiraDo NE10
    O delegado Paulo Berenguer foi o segundo a prestar depoimento no julgamento dos acusados  / Foto: Luiz Pessoa/NE10
    O delegado Paulo Berenguer foi o segundo a prestar depoimento no julgamento dos acusadosFoto: Luiz Pessoa/NE10
    O delegado Paulo Berenguer, responsável pelo inquérito do assassinato da jovem Jéssica Camila Pereira da Silva, 17 anos, confirmou em depoimento no julgamento do trio acusado de canibalismo que os réus confessaram, durante as ouvidas à Polícia Civil de Pernambuco, o assassinato da moradora de rua. Ainda segundo Berenguer, os acusados não teriam demonstrado arrependimento em nenhum momento e já planejavam o assassinato de outras vítimas. A filha da vítima, na época com 1 ano de idade, que ficou com o trio, também teria comido carne da mãe. 
    Arrolado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) como testemunha de acusação, o delegado foi primeiramente questionado pelo órgão. Indagado pela promotora Eliane Gaia e os advogados de defesa, Berenguer apontou a conduta de cada um dos acusados na execução da vítima. "Dona Isabel entregou a faca, Bruna segurou Jéssica e Jorge deu o golpe na jugular", explicou o delegado por diversas vezes.
    Segundo Berenguer, o caso chegou às mãos dele após a notícia de que o desaparecimento de uma moradora de rua em Olinda teria ligação com os crimes praticados pelo trio de canibais. A forma de agir e o modo que executaram a adolescente estiveram entre os principais questionamentos ao delegado. 
    Para o policial, a seita denominada O Cartel foi o modus operandi da execução. "Segundo relatos dos três, eles procuravam mulheres que não tinham nada de positivo para contribuir com a sociedade. Essas pessoas deviam ser eliminadas, assim suas almas seriam purificadas e, na vida terrena, a eliminação contribuiria com o controle populacional. O Cartel serviu para justificar o homicídio praticado. Acreditamos que esse homicídio foi planejado antes, durante e depois", explicou em depoimento. 
    Se o crime não tivesse sido descoberto em abril de 2012, afirmou o delegado, os assassinatos continuariam. "Identificamos outras eventuais vítimas que poderiam ser mortas pelo trio, mas os planos foram interrompidos com a prisão dos três", afirmou. Questionado pelos advogados de defesa, Paulo Berenguer negou que houvesse qualquer tipo de dependência de Isabel e Bruna em relação a Jorge, apontado por diversas vezes como o líder do trio. "Não existe um líder ou falta de liderança. Existe a individualização de conduta", ressaltou.  
    Berenguer também foi questionado pela promotora se, na época em que Jorge foi julgado pelo assassinato de Luciano Severino da Silva houve a realização de exame de insanidade mental. "Pelo que apuramos, nem na fase de inquérito nem na fase de processo criminal, não foi requisitado exame de insanidade mental", destacou o delegado.

    A promotora também questionou o delegado se houve telefonemas de Jéssica, quando estava em cárcere privado, para a família. "Houve um telefonema de Jéssica para a tia. Ela dizia que estava em cárcere privado. Mas ela (Jéssica) não sabia onde estava morando e não deve ter saído de casa", explicou Berenguer, que não voltou a apontar outros contatos familiares.
    Ainda segundo Paulo Berenguer, Bruna afirmou à polícia, durante os depoimentos, que Jéssica continuou viva por alguns momentos depois que levou o golpe de Jorge. "Segundo relato de Bruna, a vítima estava convulsionando quando foi levada para o banheiro."

    DISCUSSÃO 
    - Durante os questionamentos dos advogados de defesa dos réus, o delegado Paulo Berenguer se mostrou bastante incomodado com a subjetividade das perguntas. "Nosso inquérito se adequa na objetividade e adequamos ao processo penal; não tenho como responder estas perguntas", declarou por diversas vezes. A questão também foi discutida entre a promotoria e a defesa, rapidamente intermediada pela juíza Maria Segunda.
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    Julgamento dos "canibais" em Olinda

    Promotora Eliane Gaia participa do julgamento
    Crédito: Luiz Pessoa/ NE10

    Julgamento dos "canibais" em Olinda

    Tereza Joacy (de cabelo curto), defensora pública de Jorge Beltrão
    Crédito: Luiz Pessoa/ NE10

    Julgamento dos "canibais" em Olinda

    Isabel Cristina é esposa de Jorge Beltrão e também acusada
    Crédito: Luiz Pessoa/ NE10

    Julgamento dos "canibais" em Olinda

    Bruna Cristina Oliveira da Silva completa o trio de acusados de canibalismo
    Crédito: Luiz Pessoa/ NE10

    Julgamento dos "canibais" em Olinda

    Júri popular acontece no Fórum de Olinda
    Crédito: Luiz Pessoa/ NE10

    Julgamento dos "canibais" em Olinda

    Jorge Beltrão Negromonte é um dos acusados
    Crédito: Luiz Pessoa/ NE10

    Julgamento dos "canibais" em Olinda

    Isabel Cristina é esposa de Jorge Beltrão e também acusada
    Crédito: Luiz Pessoa/ NE10

    Julgamento dos "canibais" em Olinda

    Bruna Cristina Oliveira da Silva completa o trio de acusados de canibalismo
    Crédito: Luiz Pessoa/ NE10