segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Casa Leão, no Centro do Recife: 80 anos sem proteção; veja fotos


Primeira loja de agropecuária de PE tem prédio singular. Atual dono tenta tombamento e especialista acredita que ele terá sucesso




Uma das fachadas mais incomuns do Recife fica no bairro de Santo Antônio, no Centro da Capital. A Casa Leão tem animais esculpidos em alto relevo nas paredes. Completa 80 anos este mês e seu dono briga por um tombamento. Devido ao valor cultural visto em sua arquitetura e ao histórico, por ser o primeiro estabelecimento especializado em produtos agropecuários do Estado.

Casa foi instalada num prédio que, à época, já tinha 170 anos. Foi montada em parceria por dois caçadores. Sim, caçadores, que na década de 1930 matavam e capturavam animais silvestres. Tanto que, antes das primeiras leis proibitivas, era possível comprar macacos, veados e gaviões ali mesmo no número 19 da rua Engenheiro Ubaldo Gomes de Matos. “Aqui nunca entrou um leão de verdade, mas se encomendasse, aposto que iam buscar”, brinca o atual dono da Casa, Mauro Carneiro, 68.

Mauro assumiu a Casa há quase 30 anos, após fechar negócio com o filho único de um dos caçadores. De lá para cá, se tornou pesquisador incansável da história do que garante ser a primeira loja agropecuária de Pernambuco. “Descobri que nos primeiros anos muitos vinham das cidades interior até aqui para comprar os produtos, ainda muito rudimentares. Remédios só em garrafas de dois litros, rações só de um outro animal como porcos. Era um lugar conhecido por todos.”

Os negócios ainda vão bem hoje em dia, mesmo com a grande diversidade de pet shops espalhadas pela Região Metropolitana do Recife. Os responsáveis por isso são os fregueses que aprenderam a confiar apenas na Casa Leão. Algumas fórmulas são milagrosas, segundo Mauro. “Esponja de cavalo (doença equina que tem feridas e lesões como sintomas principais) em estado avançado é incurável. A não ser que se use a nossa fórmula.”

prédio é, na verdade, da Prefeitura. Mauro tem a posse de fato. Poderia pedir o usucapião e tornar-se o dono, mas prefere procurar a proteção municipal, por entender que utiliza um bem cultural público. Esta questão judicial quem explica é o advogado Diego Vianna, que foi contratado quando a Casa quase foi leiloada. “O prédio é da Prefeitura e ela tentou penhorá-la para quitar dívidas trabalhistas da Emlurb que datavam de mais de 15 anos atrás. Conseguimos embargar o leilão do local mostrando seu valor histórico, que é muito grande! Para se ter uma ideia, meus avós já falecidos compravam ali há 60 anos”, comenta Diego. 

Há dois anos o advogado procurou conhecidos na Secretaria de Cultura do Recife para pedir que analisassem o local e seu potencial de cultura. Depois de alguns ensaios de movimentações, nunca mais ouviu-se falar do processo.

De acordo com a conselheira Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural Terezinha de Jesus, não há um fator único que leva um prédio à proteção do Estado. São diversos os valores possíveis a serem levados em consideração, inclusive o afetivo. “Ser de muita relevância para um grupo, no caso, o das pessoas que têm conhecimento sobre o setor agropecuário, é um ponto positivo para a Casa Leão chegar a um tombamento”, explica.

É possível tentar ainda o processo estadual a partir do secretário de cultura de Pernambuco, Gilberto Freyre Neto. “Mauro deve criar um dossiê com todos os documentos históricos que conseguir encontrar. Matérias antigas falando sobre a Casa, por exemplo. Então, ele deve entregar ao secretário, que vai despachar e encaminhar para a Fundarpe. Esta realizará uma análise técnica e passará para o Conselho de Patrimônio”, sugeriu.




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