quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Paraense quer doar cabelos a Débora, vítima de escalpelamento


Emocionada com a história da pernambucana, pedagoga se dispôs a cortar cerca de um metro da sua cabeleira para a confecção de uma peruca



Desde que soube da história da auxiliar de ensino Débora Esthefany Dantas de Oliveira, de 19 anos, que perdeu o couro cabeludo em acidente de kart, a pedagoga paraense Daiara dos Santos, 23, ficou tocada pelo ocorrido e imediatamente resolveu ajudar de alguma forma. Ao tomar conhecimento que Débora não terá mais cabelos naturais, Daiara não teve dúvida: logo se dispôs a cortar na altura dos ombros seus longos fios e doar à recifense para a confecção de uma peruca.

Moradora da cidade de Cachoeira do Piriá, no nordeste do Pará, a pedagoga disse que sempre gostou de ter cabelo grande e não corta os fios há cerca de cinco anos. Apegada à vasta cabeleira, Daiara está disposta a cortá-la e entregá-la para Débora. "Fiquei sabendo da história pelas redes sociais e logo me identifiquei, porque tenho o cabelo muito grande e imaginei o quanto é difícil para uma mulher ficar sem cabelos", comentou a paraense.
Daiara conta que quando teve a ideia pediu a opinião da família e teve o apoio de todos. "Todos ficaram emocionados com o caso de Débora e com minha atitude para ajudá-la. Desde o começo me apoiaram bastante e isso foi fundamental para eu continuar com a vontade de realizar esse 

sonho", disse. Segundo a pedagoga, a vontade de oferecer os próprios cabelos a Débora veio pela admiração da força da pernambucana. "Desde o começo ela sempre se mostrou uma jovem muito forte, determinada e otimista com a recuperação", falou.

O sonho de Daiara é conhecer a auxiliar de ensino pessoalmente e poder dar um abraço nela. "Quando esse momento chegar vou dizer que ela é o maior exemplo de bom coração que já vi. Vou falar que eu me inspiro todos os dias nela", diz. Contudo, ainda é cedo para a pernambucana usar prótese capilar, pois ainda está em fase de recuperação da área afetada no acidente, segundo o cirurgião plástico Olimpio Colichio Filho, diretor clínico do Hospital Especializado, onde a jovem está internada em Ribeirão Preto, São Paulo, desde o dia 18 deste mês.

"Enquanto isso eu não vou cortar meu cabelo. Continuarei tratando e cuidando para que ele cresça mais ainda e estejam prontos para quando chegar o momento que ela precisar deles", afirmou Daiara. Para se ter uma noção do tamanho da cabeleira, a paraense tem um metro e setenta e seis de altura, enquanto seus fios já chegam a um metro e passam do seu quadril. "Estamos vivendo em um país onde todo mundo só pensa em si e ninguém pensa mais no próximo. Além de ajudar Débora, espero que minha atitude sirva de exemplo para outras pessoas", disse.

De acordo com o noivo de Débora, o microempresário Eduardo Tumajan, Débora ficou feliz ao receber a notícia que alguém gostaria de doar cabelos para ela. "Por mais que no momento não estejamos focados nas questões estéticas, é reconfortante saber que existem pessoas boas querendo nos ajudar, mesmo estando tão longe. A atitude de Daiara com certeza será sempre lembrada por nós, e quem sabe realmente no futuro ela doa seus fios para Débora", disse.

Segundo o último boletim médico divulgado pelo Hospital Especializado, Débora foi submetida ontem a curativo, no Centro Cirúrgico, e segue em recuperação no quarto. Ela apresenta uma "excelente evolução clínica". A jovem deve receber alta médica em outubro. Conforme Eduardo Tumajan, ela deverá se mudar para São Paulo quando sair da unidade de saúde para continuar o tratamento. "Ela está bastante otimista com o andamento dos procedimentos. Todos os dias conversamos bastante e ele nunca desanima", disse.

Em publicação em seu perfil no Instagram, a auxiliar de ensino infantil Débora Dantas, de 19 anos, compartilhou um pouco da sua rotina de recuperação em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. "Sorrir para o mundo faz ele sorrir para você, seja sua felicidade e nunca desista dos seus sonhos. No final vai dar tudo certo", disse a jovem em uma foto na qual aparece maquiada e com os curativos na cabeça, segurando um picolé. "Um pedacinho do meu dia a dia para vocês", continuou a auxiliar de ensino infantil.

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