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terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Pernambuco foi 5º estado do país onde população ficou mais pobre com a pandemia, diz estudo da FGV

Mulher pede ajuda em sinais do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

A população de Pernambuco foi a quinta que mais empobreceu no país durante o período mais restritivo da pandemia da Covid-19. Segundo o "Mapa da Riqueza no Brasil", divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta segunda (13), a renda média da população pernambucana caiu 0,57% entre 2019 e 2020 - passando de R$ 688 para R$ 684.

O estudo traça um panorama da situação econômica das classes mais ricas do país com base nas declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) referentes ao primeiro ano da pandemia.

Entre os cinco estados nos quais a renda média da população mais caiu aparecem outros dois na Região Nordeste: Sergipe (-6,20%) e do Ceará (-1,24%) - que ficaram em 1º e 4º lugares, respectivamente.

São Paulo (-6,13%) e Roraima (-2,53%) completam as cinco primeiras colocações entre as unidades da Federação onde a renda média da população mais diminuiu. Além desses, apenas o Rio de Janeiro apresentou uma variação negativa, de 0,44%.

Nos outros 20 estados pesquisados e no Distrito Federal, a renda média cresceu no mesmo período.

A diminuição na renda no período foi verificada em todas as faixas, de modo geral, segundo a FGV.

Da redação do Blog Vertentes Notícias
Com informações do G1 Pernambuco

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Rua da Aurora, esquina com Imperatriz, 19h30

Rodolfo Silva veio da cidade de Vitória de Santo Antão para o Recife há quatro anos e nunca teve um emprego fixo / Foto: Luiz Pessoa
Rodolfo Silva veio da cidade de Vitória de Santo Antão para o Recife há quatro anos e nunca teve um emprego fixoFoto: Luiz Pessoa
"Num tenho casa, num tenho nada, num tenho teto, durmo na rua já. O bagulho é esse, respeitar os outros e carregar meus documentos. Eu num tenho nem dinheiro pra ir pra Vitória de volta, meus 'família' mora tudo lá… Esse dinheiro aqui (ele me mostra uma pequena bolsa, com R$ 5 aproximadamente) amanhã? Um café, uma coisa, uma droga ou outra, bebida. Já arrumei B.O. (boletim de ocorrência) por aqui demais, já fui furado, já briguei e já roubei. Ia pro cinema pra tentar assistir um filme, e num consigo segurar dinheiro pra comprar um tíquete, termino na cola.

Eu me sinto derrubado, sou ex-presidiário, ninguém confia. Queria trabalhar de qualquer coisa - ele aponta para o chão de pedra inglesa -, isso aqui é caceteiro, isso é aqui é piche, encanamento, eletricista, só queria uma oportunidade pra aprender e viver melhor".

Rodolfo Silva, o Buda, 25 anos, desempregado


SOBRE A SIGA A RUA
O submundo que nos rodeia é algo que passa desapercebido por muitos. O intuito desta coluna é mudar essa perspectiva. O universo da rua é algo prolixo e controverso, das belezas arquitetônicas erguidas às histórias pessoais mais diversas, de amor, ódio, desprezo, loucura e desapego.

Tenho conversado com pessoas que retratam narrativamente essa vida sofrida e extraio dessas conversas seus pontos cruciais de externação sobre estas experiências, às vezes tão sórdidas e amargas, que me remetem a uma reflexão interna. É isso que quero trazer; uma contemplação de uma realidade dura e crua que nos fortaleça mediante às adversidades.

Os textos que posto a seguir são verídicos, histórias narradas e gravadas que uso como base para a minha pesquisa. Muitos são abordados por curiosidade e empatia, outros quase que ao acaso. Não escrevo conclusões por achar que o leitor sentirá a necessidade de fazer por si próprio. Agradeço a todos que lerem e se sentirem atraídos pela proposta deste veículo e, se se sentir à vontade, utilize a hashtag #sigaarua nas redes sociais, para que possamos disseminar esse conteúdo e que todos vejam a realidade que nos circunda e continua, até então, invisível.
*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10