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quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Mulher é encontrada morta no sítio Silva de Baixo, zona rural de Taquaritinga do Norte

Sabrina Mayara da Silva Lima tinha 21 anos (Reprodução)

Na manhã desta quinta-feira (21), o corpo de uma mulher foi encontrado morto em uma estrada vicinal que dá acesso ao sítio Silva de Baixo, zona rural de Taquaritinga do Norte.

O corpo de Sabrina Mayara da Silva Lima (21 anos) foi encontrado ensanguentado, trajando blusa estampada, short jeans e sandália, com perfurações possivelmente provocadas por objeto cortante, com uma perfuração profunda na região do pescoço.

Familiares de Sabrina conversaram com nossa equipe de reportagem e revelaram que ela era usuária de drogas, com histórico recente de detenções, a informação foi confirmada pelas equipes da Polícia Militar e Guarda Civil Municipal.

A cena do crime foi isolada por equipes da Polícia Militar, até a chegada da Polícia Civil e Instituto de Criminalística.


Da redação do Blog Vertentes Notícias
Com informações do Blog Polo+

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Ossada em sítio arqueológico de Vertentes é objeto de pesquisa

Flávio Moraes é um dos engajados nas escavações do sítio (Cortesia)

O Furna dos Ossos, um sítio arqueológico em Vertentes, no Agreste de Pernambuco, abriga parte da pré-história através de ossos de indígenas que viviam naquela região em tempos passados. O local é palco de pesquisa através de escavações feitas em alguns períodos, e recentemente foi alvo de uma série de vandalismos e descaso. Agora, com a instalação de uma cerca protetora, assim como uma placa de sinalização nos moldes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), colocadas pela prefeitura da cidade, tenta retomar à condição de símbolo de preservação no estado.

Placa e cerca foram colocadas pela prefeitura de Vertentes, após cobrança para afastar vandalismo (Cortesia)

O doutor em arqueologia e professor do curso de história da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Flávio Moraes, de 42 anos, é um dos profissionais envolvidos no trabalho que busca revelar detalhes daquele povo. A existência do espaço, segundo ele, foi compartilhada por outros colegas de profissão da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “É um sítio sob rocha onde começou a aparecer muito material ósseo humano. Tivemos conhecimento através de alguns colegas que são professores da UFPE”, disse de início.

Placa e cerca foram colocadas pela prefeitura de Vertentes, após cobrança para afastar vandalismo (Cortesia)

Um desses professores foi Sandro Guimarães, que ensina a disciplina de antropologia. Por meio de fotografias, ele “apresentou” o sítio a Flávio, e foi a partir daí que uma ação começou a ser pensada para a preservação da área.
“Ele falou comigo em Alagoas, porque sabia que minha área de pesquisa é voltada para sítios funerários. Sandro me apresentou as fotos do sítio e eu fiquei muito angustiado. A partir daí, demos início a uma ação para viabilizar as atividades de escavação para fazer o salvamento do espaço, e também para conhecer mais a história das práticas mortuárias desses povos que viveram aqui em tempos pré-históricos”, rememorou Flávio.
O arqueólogo, estudioso em meio a temas que envolvem sítios funerários, apontou os achados como pertencentes a indígenas, e a estrutura do local, com a presença de várias rochas, como um ambiente comum para receber atividades de sepultamento.
“Sabemos que esse material pertence a populações indígenas que provavelmente viveram aqui antes da chegada dos europeus. Essas características do local onde os ossos se encontram, que é um abrigo sob rocha, é recorrente nas práticas indígenas de sepultamento em regiões onde se dispõe de grandes afloramentos rochosos, como aqui em Vertentes”, explicou.
Alguns dos ossos encontrados tinham resquícios de cor avermelhada. O que simboliza, na crença daquele povo, parte de um ritual que tem mais de um sepultamento. 
“Identificamos também ossos com pigmentos vermelhos, que caracterizam um ritual secundário de sepultamento. Os indivíduos eram sepultados e depois da decomposição das partes moles, tinham os seus ossos retirados para um outro ritual, onde se colocava pigmento vermelho para a realização de um novo sepultamento”, complementou.
Escavação no local está prevista para ser concretizada em março do próximo ano (Cortesia)

A ossada estudada em Vertentes se divide em fragmentos de costelas, ilíaco (osso da região da bacia), escápula (osso abaixo dos ombros), úmero (osso do braço, sendo o maior entre os membros superiores), fêmur e outros. Além disso, também foram encontrados dentes felinos, que provavelmente são de onças.

Esse material, no entanto, vinha sendo afetado de forma negativa pela população que frequenta o sítio arqueológico da cidade. Registros de vandalismo e descaso são relatados num parecer técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional datado em 25 de junho de 2018. No ofício, consta a presença de ossos espalhados, pichações, embalagens de bebidas e comidas, ninho de insetos e vestígios de acampamento e fogueira, por exemplo.

Parecer técnico do IPHAN apontando problemáticas na região (1/2) (Reprodução)

Parecer técnico do IPHAN apontando problemáticas na região (2/2) (Reprodução)
“É uma área de visitação turística, onde não há controle de acesso e muitas pessoas não têm consciência nem conhecimento da importância desse material e acabam destruindo. Elas destroem também todo o contexto, que é o mais importante para a arqueologia. Estávamos com uma preocupação muito grande”, lamentou Flávio.
Escavações

O processo de escavação no Furna dos Ossos faz parte de uma pesquisa que tem parceria entre o do campus Caruaru da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o laboratório e museu de arqueologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Esse trabalho é financiado através de uma emenda parlamentar do deputado federal Carlos Veras (PT).

O doutor Flávio Moraes detalhou o cronograma das escavações em Vertentes, indicando que atualmente ela está em seu começo. Ele revelou ainda que pensa, a longo prazo, em uma forma de inserir toda a comunidade na ação. O intuito maior disso, na sua visão, é não voltar a ver cenas de vandalismo e descaso em espaços históricos.
“A escavação está na sua fase inicial. Estamos programando uma ação para outubro, e já entrei em contato com escolas aqui do município, porque a nossa ideia é fazer uma ação intensa de educação patrimonial, juntando professores e alunos nesse primeiro momento. Depois, pensamos em expandir para todo o município, até para que a gente não veja mais esse tipo de situação como pichação e vandalismo nos sítios arqueológicos”, disse.
Sítio tem forte presença de rochas em sua composição; possíveis sepultamentos aconteciam no local (Cortesia)

Com a próxima etapa prevista para o mês de outubro, o desfecho das escavações deve acontecer apenas no primeiro trimestre do próximo ano. Mas outros processos terão que acontecer até a finalização do trabalho em solo pernambucano.
“A gente já agendou outra etapa entre os dias nove e 15 de outubro. Pelas características do sítio, acho que vamos ter de seis a oito etapas. A gente só deve terminar a escavação em março do ano que vem. Depois disso, ainda tem análise do material em laboratório, processamento de dados e relatórios. Vai correr o ano de 2023 todo até que a gente possa apresentar resultados consistentes”, alegou.
Importância histórica

A preservação do espaço é um fator indispensável para que o recorte histórico e a maneira de vida daquela época sejam desvendados. Hábitos como a separação de tarefas e até mesmo alguns tipos de doenças podem ser “lidos” através dos ossos.
“O local tem uma potencialidade fenomenal para explicar sobre o cotidiano desses grupos. Quando a gente estuda esse contexto de morte, a gente quer, na verdade, compreender o modo de vida desses povos, porque os ossos deixam muitas marcas daqueles indivíduos, como algumas patologias, preferências alimentares e também para saber se havia divisão entre os gêneros nas atividades desenvolvidas no grupo”, detalhou Flávio, por fim.
Da redação do Blog Vertentes Notícias
Com informações do Diário de Pernambuco

sábado, 25 de julho de 2020

Professora de 69 anos ensina em sítio no Agreste de Pernambuco usando internet da vizinha: "cheguei a chorar"

Professora Maria José da Silva, 69 anos, ensina pelo WhatsApp (Reprodução de vídeo)

O ensino remoto é desafiador para qualquer professor, que precisa de mais tempo e dedicação para preparar as aulas e adaptá-las às tecnologias. Mas as dificuldades enfrentadas por educadores de grandes cidades são diferentes das que passam os professores do interior, principalmente em regiões mais pobres, como o Nordeste brasileiro.

Um exemplo disso é o caso de dona Maria José da Silva, de 69 anos, que é vinculada às secretarias de Educação dos municípios de Santa Cruz do Capibaribe e Taquaritinga do Norte, no Agreste de Pernambuco. Ela leciona há quase 20 anos e ensina aos alunos do 3º e 5º anos do ensino fundamental (cerca de 30 alunos em cada turma, incluindo alguns com necessidades especiais). Licenciada de uma das escolas, atualmente está ministrando aulas para apenas uma delas.

A professora mora com duas irmãs que integram o grupo de risco da covid-19, e desde que o novo coronavírus chegou ao estado, decidiu se refugiar com as duas em um sítio em Brejo da Madre de Deus, cidade próxima. 
"Eu moro em Santa Cruz e lá o bairro mais afetado [pela covid-19] é o nosso", contou. Ao saber que precisaria encontrar formas para dar aulas remotas aos alunos, Maria José ficou desesperada.
Como naturalmente ocorre com pessoas da idade dela, a professora não tem familiaridade com as novas tecnologias, e não sabia o que fazer para não deixar os alunos desassistidos. Ela chegou a pedir a instalação da internet na casa do sítio, mas por tratar-se de uma área rural, o provedor não conseguiu. A solução foi procurar a ajuda de uma vizinha, que tem internet na residência. Mesmo assim, tem problemas com o sinal, que cai sempre que chove. Os dados móveis também não funcionam.

Porém, para não atrapalhar a rotina da casa da vizinha, ela decidiu que ficaria do lado de fora, em um ponto em o sinal da rede sem fio (wi-fi) ainda funciona. Próximo a uma árvore, ela montou o espaço que seria seu "home office", às margens de uma estrada de terra: uma cadeira de balanço, um toldo improvisado para proteger do sol e um banco para apoio.

Maria José conta que chegou a entrar em contato com a secretaria dos municípios e se oferecer para pagar uma outra professora para fazer o trabalho. 
"No início eu me apavorei muito, cheguei a chorar. Foi difícil para mim, achei que não ia conseguir. Disseram que tinha que ser a professora da sala, que iam me ajudar. Me deram uma força muito grande", relembrou.
Aulas pelo WhatsApp

Como tem dificuldades para gravar vídeos, formato mais comum das aulas remotas, a professora decidiu que repassaria as explicações aos estudantes pelo WhatsApp. Das 8h às 12h, ela fica no espaço improvisado com os livros de conteúdo e cadernos de atividades, tirando fotos e enviando as explicações para as mães dos estudantes. Depois, aguarda os alunos responderem e corrige cada tarefa de casa individualmente. "Se eu mandasse as respostas eles não iam fazer", pontuou.

Mesmo à distância, a professora "puxa a orelha" dos estudantes que não participam das atividades, através das mães. Além disto, leva o conteúdo para ser entregue na escola, junto ao kit merenda. "Meu objetivo é atingir a todos, minha parte está sendo feita", afirma. A professora vê o acompanhamento próximo por parte dos pais e responsáveis como um ponto positivo da educação à distância. "Não é melhor do que presencial, porque eles precisam brincar, interagir com o coleguinha, da socialização. Mas é válido, sim, basta a gente querer".

Reconhecendo as dificuldades do ensino remoto, Maria José acredita que sem ele seria pior. 
"Me emocionei outro dia, toda vez no fim de uma atividade eu gosto de parabenizar o aluno, mesmo que ele erre, para que ele se sinta feliz [em estar aprendendo]. Ele disse: 'agradeço às suas aulas'. Ouvir isso de uma criança é muito valoroso. É importante a gente ver que abriu caminhos para alguém".
Da redação do Blog Vertentes Notícias 
Com informações do NE10 Interior